Janja da Silva ao lado da obra de Mady Benzecry em clique do Instagram (Foto: Claudio Kbene)
“Mais cores e brasilidade no Palácio do Planalto!”, assim definiu a primeira-dama Janja “Lula” da Silva ao postar, em seu Instagram, o trabalho da artista amazonense Mady Benzecry – fala-se Mêidi. “Retrata a força da ancestralidade feminina, está exposta agora na entrada do meu gabinete. Inspiração para trabalhar muito pela valorização da cultura brasileira”, completou ao lado de um clique de Claudio Kbene. Mas você sabe quem é a artista?
Mady Benoliel Benzecry foi uma artista plástica e poetisa amazonense, que fez sucesso entre as décadas de 1960 e 1980. Nascida em Manaus, em 19 de fevereiro de 1933, no seio de duas tradicionais famílias amazonenses de ascendência judaico-marroquina – Pazuello e Benoliel, foi aluna do tradicional Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, que condicionam as mulheres ao estereótipo “moças da boa sociedade”. Para fugir disso, aos 30 anos, radicou-se no Rio de Janeiro, onde pôde alimentar suas veias artística e literária.
Casou com o entalhador pernambucano Eugênio Carlos de Almeida Barbosa, mais conhecido como Batista, e com ele participou de diversas exposições em salões de arte nacionais e internacionais, como conta o site “Manaus Sorriso”. Juntos, assinavam como Batista e Mady. Ela publicou dois livros de poesia: De Todos os Crepúsculos (1964) e Sarandalha (1967). Este último tem a capa e oito ilustrações de Moacir Andrade. Mady faleceu na capital fluminense aos 70 anos, em 11 de junho de 2003. Deixou os filhos Jacob Elias Benzecry, o Elly, e Norma Nellie (1953 – 2000), mais conhecida como Norminha.
Em seus poemas e obras, ela retratava a gente amazônica: o caboclo, a vizinhança, a família judia. “Tudo posto em um Baú da infância, título de um de seus poemas. Samuel Benchimol (2008), Walter Benjamin (1987) e Jeanne Marie Gagnebin (2006), entre outros, forneceram amparo teórico”, conta Alessandra F. Conde da Silva em um artigo na revista Moara (ed. 56), da Universidade Federal do Pará. Segundo ela, a escritora recebeu elogios de Jorge Amado e de Luís da Câmara Cascudo, conforme contam as orelhas de “Sarandalhas”, livro dividido em quatro seções: A criação da Bahia, “Baú da Infância”, “5 Cantilenas” e “Esparsas”.
Ainda é possível encontrar dois poemas da artista na Antologia Poesia e Poetas do Amazonas, intitulados Às dez horas de uma Noite Triste e Procissão do Tempo, datado de 2006. Outra referência bibliográfica é Batista & Mady: vida e obra – Embaixadores da alma brasileira, escrito por Mário Margutti e lançado em 2003. Na internet, trabalhos pequenos da artista, datados das décadas de 1960 e 1970, foram parar em casas de leilões. A obra Flores e Pássaros (1968) foi arrematada por R$ 220 na Galeria Alphaville (do Rio de Janeiro), enquanto A noite de Yemanjá (1980) teve lance inicial de R$ 150 e não foi divulgado o valor por quanto foi arrematado. Mas há outros links com obras avaliadas em mais de R$ 80 mil.

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