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Jeans: Gloria Kalil relembra a trajetória da Fiorucci

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Gloria Kalil nos anos 1980, pioneira em trazer a Fiorucci ao Brasil – Foto: Arquivo Pessoal
“A terra é azul”. No momento histórico que marcou a primeira viagem do homem ao espaço, em 1960, o soviético Yuri Gagarin acabou fazendo uma observação bem mais do que científica. De fato – e de longe -, eram os oceanos que davam o tom do planeta, mas, de perto, a máxima era igualmente verdadeira: seguindo a liberação da juventude nos Swinging Sixties, as ruas estavam tomadas pela paleta jeans.
No Brasil, o boom do blue era geral e, a partir do fim da década de 1970, o nome liderando a tendência era Fiorucci. Fundada em Milão por Elio Fiorucci, em 1967, chegou por aqui em 1979, com Gloria Kalil à frente e ao lado dos sócios, Zé Kalil e Marcos Santin. “É uma marca que teve um grande mérito”, conta a empresária e consultora de moda em conversa com Bazaar. “Antes de nós, todas as marcas que queriam bombar com o jeans estavam na ‘entrada da boate’. Quando chegamos, a porta da frente abriu, porque o nome já era desejado no mundo inteiro”.
Imagem de campanha da Fiorucci – Foto: Divulgação
Italianíssima, mas nada importada, tudo era totalmente made in Brazil. Em tempos de importações proibidas, Gloria explica que “tinha uma concessão do uso da marca. Eu viajava, pegava as peças-piloto e as modelagens, até o design das etiquetas e dos posters. Depois, fazíamos tudo aqui. E era lindo!”.
O logo da Fiorucci – Foto: Divulgação
No Brasil, a operação fechou em 1992. Os anjinhos clássicos da logomarca voaram, mas seus anos em terra brasilis foram de pura experimentação e liberdade. “É uma história que aconteceu entre a liberação jovem dos anos 1960 e a brecada brutal dos 1980, com a AIDS. Foi um intervalo único na história.” Tão único que, comandado pelas novas gerações, fez uma completa revolução no guarda-roupa, que elevou o jeans a patamares antes inimagináveis.
“Até então era roupa de final de semana”, lembra a especialista. “De rancho mesmo. Aqui no Brasil tinha até a calça rancheira!”, ri. Mas não demorou para ficar tão pop quanto o Papa. Como quem nunca comeu mel, quando come se lambuza, “o Brasil se lambuzou de usar aquela roupa com cara de juventude, de rebelião”. Era fácil de usar e combinava com o espírito despojado que apaixonou a geração anterior aos yuppies emperiquitados com ombreiras exageradas. Icônico, sim, mas infinitamente menos casual.
De um lado técnico, a revolução do denim também representou um marco (ainda atual) na indústria nacional. Para Gloria, “sempre soubemos fazer jeans” e, mesmo com o desgaste do setor têxtil brasileiro a partir dos anos 1990, “continuamos a fazer esse tecido de maneira excelente. Hoje, temos inúmeras marcas de jeans brasileiras que se comparam, em qualidade, a qualquer marca internacional”.
Jovens usando o jeans-desejo – Foto: Divulgação
Para além das fronteiras do Brasil, o nome Fiorucci era sinônimo de badalação total, com “embaixadores” fiéis que iam de Andy Warhol e Keith Haring até Madonna. Mesmo por aqui, nomes como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Sônia Braga viviam “coladinhos” com a marca.
A loja, em Ipanema, se tornou um spot carioca, mas Gloria lembra que, “se você não saísse do Rio, você não virava uma marca nacional”. Por isso, muitos dos desfiles memoráveis da Fiorucci aconteceram em São Paulo, como na ocasião em que a coleção foi apresentada dentro de um rinque de patinação no gelo, apenas um ano depois de ter sido levada para um circo armado em pleno coração da capital paulista.
O ritmo era nacional e Gloria, refletindo sobre o impacto do estilo despojado em solo brasileiro, diz mais de 40 anos depois: “Não tem uma menina da costa brasileira, do norte ao sul, que não tenha, pelo menos, um shortinho jeans”. Hoje, para ela, esse mesmo jeans que revolucionou no passado “já não é mais moda. Claro, ainda pode ser. Depende da modelagem. Mas não é mais um item-desejo. A graça é que ele é infinitamente democrático”.
No fim, parece mesmo que Yuri Gagarin já ficou démodé. A Terra nem é mais tão azul assim.
– E como ela é agora, Gloria? “Ah, agora é das cores do arco-íris, meu bem”.
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