Foto: Arquivo Harper’s Bazaar
A escrita é uma potente ferramenta que vai além do estímulo da criatividade. Colocar no papel sentimentos e desejos permite que emoções sejam compreendidas, além de trazer clareza e possibilitar o autoconhecimento.
Um estudo realizado na década de 80 pelo pesquisador James W. Pennebaker apontou grandes benefícios para a escrita terapêutica. James separou dois grupos: o primeiro foi orientado a escrever de forma mais técnica, detalhando e apontando racionalmente seus traumas. Já o segundo grupo foi orientado a escrever livremente sobre seus sentimentos e angústias. A pesquisa concluiu que os participantes do segundo grupo, aqueles que escreveram sobre seus sentimentos livremente, fizeram visitas menos frequentes a consultórios médicos nos meses posteriores. Além disso, ele também concluiu que, apesar dessas pessoas apresentarem maior dificuldade ao começar a lidar com as emoções no início do experimento, ao longo do tempo, a compreensão das emoções se tornou mais positiva, conforme o avanço da prática.
Seguindo essa ideia, é fácil entender por que escrever um diário é aconselhável por alguns psicólogos e psiquiatras. Colocar os sentimentos no papel de forma menos racional e sem preocupação estética possibilita menos bloqueios e mais liberdade para expressar as emoções.
A prática da escrita terapêutica é bastante simples e com poucas regras. Para dar início, basta ter o básico: papel e caneta. Uma dica é separar um caderno específico com uma capa que seja agradável para começar, assim como quando é escrito um diário; dessa forma, é mais fácil se organizar e adquirir o hábito.
Além disso, é importante que um tempo seja destinado à escrita, sem possíveis distrações. Por isso, para que nada atrapalhe, é aconselhável desligar o celular e estar em um local tranquilo e silencioso. Para quem preferir escrever em aparelhos digitais, a solução pode ser desligar as notificações.
Ter um horário reservado para esse momento também é fundamental. Assim como outros hábitos diários que trazem tranquilidade, como skincare ou banhos relaxantes, escrever sobre os sentimentos demanda concentração. Por isso, a escolha de horários mais tranquilos e sem muito barulho permite que a atenção esteja sempre voltada ao momento. Além de que a escolha de um horário fixo para a prática permite a criação de um hábito e facilita a constância.
Vale lembrar que na escrita terapêutica não existem regras. Por isso, não é necessário se preocupar com ortografia, gramática, construção do texto ou conclusões. A ideia é registrar os sentimentos sem amarras. Para quem não tem o hábito de escrever, o começo pode parecer difícil, por isso a dica é começar aos poucos, escrevendo pequenos textos e respeitando o limite da mente. O importante é não desistir.
A escrita terapêutica tem muitos benefícios, pois, além de ajudar no autoconhecimento, é uma ferramenta para alívio do estresse e da ansiedade. Ela ajuda a estimular a criatividade, a compreender e enfrentar situações difíceis como o luto ou questões de relacionamento. Além disso, ter um diário ajuda no controle de doenças como depressão e transtornos como TDAH, por exemplo. A prática também é bastante utilizada por psicólogos para ajudar no combate a traumas.
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