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“Tár”: a moda é a verdadeira protagonista do filme

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Guarda-roupa de Lydia Tár (Cate Blanchett) é dominado por tons escuros, camisas e terninhos poderosos – Foto: Reprodução/IMDb
Desde os primeiros minutos de “Tár”, a moda é o personagem que rouba a cena. Em Berlim, no ateliê do alfaiate Egon Brandstetter, um terno está sendo feito para a protagonista Lydia Tár (Cate Blanchett), uma maestrina incrivelmente bem-sucedida em um meio dominado por homens, sendo a primeira mulher a assumir o posto de regente titular da orquestra alemã. Seu guarda-roupa, com silhuetas elegantes e luxuosas, comunica suas conquistas e status.
No entanto, a figurinista do longa, Bina Daigeler, não achou que o público fosse reparar nas roupas. “Eu queria fazer figurinos que ninguém olhasse. Eu só queria apoiar o guarda-roupa, sentimentos e emoções do que estava escrito no roteiro”, afirmou ao “WWD”.
Acontece que a história da regente é sobre poder, e fica nítido que Lydia reafirma sua presença por meio dos looks. “Acho que todos fazemos isso quando precisamos projetar força, nos vestimos de uma determinada maneira”, disse Bina ao jornal “The Guardian”.
Códigos masculinos são centrais no vestuário da maestrina – Foto: Divulgação/IMDb
E como é esse modo de se vestir a qual muitas vezes recorremos para reafirmar nosso valor? Ele frequentemente passa por códigos masculinos. No livro “Mulher, roupa, trabalho: Como se veste a desigualdade de gênero”, a consultora de moda Thais Farage e a advogada Mayra Cotta afirmam: “O terno é uma alegoria-chave dessa problemática: não há uma peça no guarda-roupa feminino que imprima tanta força e poder, há tantos anos e em tantos ambientes diferentes, quanto o terno. (…) As mulheres precisam inventar a própria armadilha e escrever os próprios códigos quase que diariamente.”
Esse fenômeno é facilmente observado no estilo de Lydia. Para construir seu vestuário, a figurinista buscou referências no estilo de outras maestrinas, mas principalmente no de homens como o austríaco Herbert von Karajan. O resultado é uma estética quase que sombria, cheia de tons escuros, terninhos poderosos e camisas engomadas – com direito a truques de styling da própria Blanchett, como a gola camisa despontando por cima de um suéter.
Apesar de simples, as peças têm caimento perfeito e tecidos refinados, características do quiet luxury – Foto: Reprodução/IMDB
Ainda que meticulosamente alinhadas, suas roupas são simples e funcionais, feitas para garantir o movimento imprescindível no comando de uma orquestra. A praticidade refinada é característica do quiet luxury, incorporado por marcas como The Row – que inclusive aparece no filme. Mesmo com um orçamento considerado baixo, a figurinista investiu em um casaco US$ 3.450 (aproximadamente R$ 17 mil) da grife das irmãs Mary-Kate e Ashley Olsen, que acabou se tornando peça central no guarda roupa de Lydia.
As outras escolhas variaram entre grifes de luxo, peças vintage encontradas nas ruas de Nova York e Berlim e itens sob medida. Algumas marcas são Margaret Howell, Max Mara, Dries van Noten, Studio Nicholson e Lemaire. A protagonista também usa a icônica Birkin Bag, da Hermès, por decisão do diretor Todd Field, apesar de Cate e Bina terem tentado convencê-lo de que uma Louis Vuitton seria a melhor opção.
Foto: Reprodução/IMDb
Quanto aos acessórios, um Rolex é a peça-chave. A decisão de manter apenas o relógio foi estratégica, já que uma pesquisa minuciosa mostrou que os regentes não usam outros acessórios para evitar reflexo de luz, o que pode atrapalhar os músicos.
Ao longo da trama, conforme a vida de Lydia desanda, suas roupas acompanham o processo de decaída. As peças ficam mais desajustadas e o tecido mais enrugado, indicando que ela não teve tempo ou alguém para passá-las, além de se afastar dos tons mais escuros que transmitiam sobriedade.
Do mesmo jeito que afirma seu poder pelas roupas, o filme espertamente transmite a queda da protagonista pelo guarda-roupa. Não à toa, a figurinista já está trabalhando em seu próximo projeto – nada menos que uma série sobre Cristóbal Balenciaga para o Disney Plus, que deve ser lançada ainda neste ano.
O post “Tár”: a moda é a verdadeira protagonista do filme apareceu primeiro em Harper’s Bazaar » Moda, beleza e estilo de vida em um só site.

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