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Por que 2023 é o ano da Cartier? O diretor da maison explica o impacto moderno da joalheria!

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Por que 2023 é o ano da Cartier? O diretor da maison explica o impacto moderno da joalheria! (Créditos: Getty Images e Divulgação)
Um sucesso no tapete do Met Gala 2023, a Cartier dominou em peças brilhantes que enfeitaram celebridades glamorosas. Entre elas, Elle Fanning (que cruzou o evento com um colar grain de café, estilo favorito de Grace Kelly) foi nomeada como a nova embaixadora da maison e as joias da casa são o assunto do momento. Desde que a boutique na rue de la Paix, em Paris, foi reinaugurada no fim do ano passado, o legado centenário da joalheria está atravessando o mundo e não dá sinais de parar.
Elle Fanning, nova embaixadora da Cartier, com joias da maison no Met Gala 2023 (Foto: Getty Images)
Por aqui, na última semana de maio, a Cartier estreou uma loja nova no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, que se tornou a primeira no Brasil a adotar o conceito arquitetônico moderno. Tudo isso, em um evento exclusivo, pouquíssimas semanas depois de levar para a Cidade do México a exposição “Um Legado Vivo”, que inaugurou em 15 de março e permanece aberta ao público até 14 de maio de 2023. Lá, a Harper’s Bazaar Brasil foi presença, não apenas ao lado de joias icônicas da maison (como aquelas de uma de suas maiores clientes, a atriz mexicana María Félix, destaque da mostra), mas do diretor de imagem, estilo e legado da casa, Pierre Rainero.
Boutique reinaugurada da Cartier no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo (Foto: Katia Kuwabara/Divulgação)
Com exclusividade, ele conversou com a diretora e publisher do título, Patricia Carta, sobre o impacto cultural profundo da Cartier na história e na vida moderna. Olhando para as criações que se tornaram icônicas na casa, ele reflete que “os designs históricos são importantes, porque são a evidência daquilo que Cartier significa em termos de estilo. O sentido da beleza evolui com o tempo, claro, e por isso buscamos hoje focar no que é essencial”. Com mais de 175 anos de história, afinal, seria natural imaginar que os arquivos da joalheria formam a base das inspirações criativas contemporânea; mas para Rainero, a relação é contrária. “Não é um determinado objeto que nos dá a base para algo novo, mas sim a filosofia por trás que nos ajuda a conceber novidades”. Aqui, você confere a conversa na íntegra, e descobre tudo por trás do mito (mais que verdadeiro) do luxo Cartier:
Patricia Carta: Na história quase bicentenária da Cartier, Jeanne Toussaint não só se eternizou como um ícone pelo estilo pessoal, mas também porque se tornou a primeira mulher diretora na história da Cartier. Como homem, sente que há um desafio maior em criar e pensar em peças especialmente para clientes mulheres?
Pierre Rainero: Esta é uma pergunta muito boa (risos). Falando francamente, não sei se existe uma diferença. No começo ou em meados do século 20 houve uma evolução nos papéis das mulheres, que foi incrível. Na verdade, tudo mudou. Nas joias, por exemplo, às vezes me perguntam se “agora as pessoas precisam usar joias grandes”, como no passado. Eu digo “Sim, você pode usar joias grandes, com volume, se quiser. Mas pode usar também algo discreto, clean. Mais do que isso, você pode trocar durante o dia. Não existe tendência eterna.
A noção de liberdade de comportamento hoje não é nem de longe parecida com aquela do início ou de meados do século 20. Mas não tenho certeza se uma mulher criadora tem mais possibilidades de criar para as mulheres do que um homem. Tudo se resume a liberdade da mente de quem cria. É ela quem é muito mais importante hoje, mas essa é a minha opinião (risos).
Cartaz da exposição “Um Legado Vivo” da Cartier, na Cidade do México em 2023 (Foto: Divulgação)
PC: Também no assunto de gênero, a sociedade ocidental vem vendo um número crescente de homens interessados em alta joalheria. Isso não é novo para a Cartier, que há mais de um século tinha  muitos clientes do Oriente, como os famosos marajás indianos. Como a maison lida hoje com o crescente clientela masculina e com a nova clientela de gênero fluido, e como atrair a Geração Z?
PR: O que posso dizer é que, com a Cartier, a ligação com clientela masculina sempre esteve dentro da noção de elegância masculina. É por isso que criamos os relógios, as abotoaduras e até pulseiras. Mas o interessante é que, na casa, a maioria das nossas criações mais bem conhecidas foram criadas para homens e mulheres, desde o início. O anel triplo Trinity Ring, de 1924, é um desses casos.
PC: E já era uma particularidade da Cartier?
PR: Sim! Já se tinha a ideia do design sem gênero, mas a noção de elegância masculina evoluiu e, hoje, há uma maior liberdade para os homens usarem joias. O colar Clash, por exemplo, é usado por muitos deles. Voltando ao ponto inicial, vejo como um paradoxo curioso. Sempre achamos que os homens são regados de liberdades mas, na verdade, eles também sofrem com pressões sobre o próprio comportamento e a masculinidade. Atualmente, isso está mudando e hoje eles até usam as bolsas das namoradas (risos)! E isso é incrível. Há mesmo uma tentação, do homem, para usar um colar de alta joalheria. Eu percebo isso. E não só para andar em um tapete vermelho. Mas para a vida real. E ótimo porque dialoga com a liberdade de se expressar, de gostar de beleza e de objetos bonitos, sem ficar prisioneiro de arquétipos masculinos ou femininos. Eu penso cada vez mais que eles acabaram.
Louis Cartier, neto do fundador e criador do Tank Cartier (Foto: Getty Images)
PC: Essas revoluções são muito próprias da Geração Z. Como a Cartier tem trabalhado para atraí-la? 
PR: Uma coisa boa a respeito da Geração Z é que eles estão totalmente preparados para avaliar o que está acontecendo à sua volta. Isso significa que se importam com autenticidade. Vejo, por exemplo, que são naturalmente atraídos por marcas realmente fiéis a eles e que não estão tentando seduzi-los. Portanto, a melhor maneira de atraí-los é sendo nós mesmos (risos). Eles sabem perceber o que é fake, o que é forçado.
PC: Quão importante é a tecnologia em uma maison como Cartier, com mais de 175 anos de história?
Pierre Rainero: A tecnologia é muito importante e relevante para o resultado final. Na Cartier, está integrada desde sempre. Penso que não há qualquer tabu em tecnologia. Sim, mudou bastante, claro, mas se desenvolveu de maneira permanente. Temos laboratórios de pesquisa na maison e a novas formas de tecnologia estão a serviço dos nossos designers. A grande pergunta é: qual é o objetivo da Cartier? Leveza, flexibilidade, coisas fáceis de usar. É nessa direção que seguimos e na qual nossa equipe “brinca”.
A fachada da boutique Cartier no 13 Rue de la Paix, em 1912 (Créditos: Cartier Archives | Taponier)
PC: Na nova exposição em carta (“Um Legado Vivo”, na Cidade do México), a figura da atriz María Félix é destaque. Para além dela, que foi uma grande cliente da joalheria, o que mais você enxerga como conexão entre a Cartier e o país?
PR: Acho que o México pode ser uma espécie de metáfora da curiosidade relativa a culturas diferentes. No atual contexto cultural do país, há influências e referências que vão desde a era pré-colombiana até desde séculos depois da chegada dos espanhóis. No século passado, a riqueza cultural de lá só se aprofundou e, no início dos anos 70, fomos provavelmente a única maison que se estabeleceu por lá. Portanto, já temos mais que 50 anos de história junto com o México, o que abrange várias gerações de clientes. De uma certa forma, fazemos parte da história moderna do país. As pessoas dizem: “eu me lembro de quando a loja ficava ali e de quando vocês mudaram para aquele local”. Ou “eu me lembro, minha mãe era cliente, ainda tenho um objeto”. É fascinante, porque eles conhecem a história daquelas cinco décadas e essas ligações são muito importantes
María Félix, atriz mexicana e cliente fiel da Cartier, nos anos 1970 (Foto: Divulgação)
PC: A Cartier tem uma coleção e um legado histórico que bebeu da fonte de diferentes culturas. Qual cultura inspira mais a Cartier hoje em dia?
PR: Este é um assunto difícil, porque acho que não exista uma única cultura mais forte que outra. São várias, como as Américas, de onde tiramos referências desde a arquitetura até a fauna e a flora. É um continente da expressão da modernidade, que não está ligada, necessariamente, a uma cultura específica. E as grandes cidades sempre têm pontos em comum. Estar hoje em Bangkok é quase como estar em São Paulo ou em Manhattan. As pessoas compartilham contextos urbanos e estéticos até estilos de vida parecidos, apesar das distâncias. Isso tudo é muito interessante. Nas redes sociais, por exemplo, temos pessoas de todo o mundo olhando as mesmas postagens. Existe um tipo de “cultura comum” que integra todos os continentes.  É algo novo e que faz muito sentido para nós, como criadores.
O átrio da nova boutique Cartier, idealizado pelo arquiteto Moinard Bétaille (Créditos: Cartier)
PC: E como criador, você tem uma peça Cartier favorita? (risos)
PR: Essa é uma pergunta impossível para uma resposta impossível. (risos)
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