Nando Reis – Foto: Carol Siqueira
Por Baárbara Martinez
Nando Reis completa 60 anos em 12 de janeiro. O cantor, que gosta de encarar diferentes projetos, confessa que precisa desacelerar um pouco após 40 anos de estrada. Atualmente, o paulista está em uma turnê solo e em outra com a cantora Pitty, além de trabalhar em dois discos: um inédito e o segundo, um relançamento.
Sem esquecer, é claro, da turnê já anunciada – e aguardadíssima – com a formação original dos Titãs, dos anos 1980, da qual faz parte, com ingressos esgotados em algumas capitais do País. “Consegui ter algumas poucas pausas na minha vida, mas acho que isso é uma característica minha. Às vezes, parece quase que involuntária. De repente, percebo que estou fazendo três coisas ao mesmo tempo. Preciso frear um pouco esse ímpeto”, comenta em entrevista à Bazaar em um dia raro de trabalho em sua casa, em São Paulo.
Pé no chão, ele fala de vida e música – temas indissociáveis – com satisfação. “Tenho um modo de viver muito mais prazeroso do que já foi em outros tempos. Associo isso à minha própria trajetória profissional, que dá muito trabalho. Sou um homem feliz e privilegiado por trabalhar com o que gosto, sei que é o que muitos desejam e poucos alcançam”, reflete. Segundo ele, essa sede de abraçar tudo e mais um pouco veio com força principalmente nesse quase pós-pandemia, quando teve receio de nunca mais conseguir voltar a tocar para uma plateia. “Durante o primeiro semestre deste ano, fiz shows para compensar os adiados de 2020 e 2021, remarcações e tudo mais. Foi um ano muito atribulado”, entrega ele, que no início deste 2023 tirará merecidas férias.
Como local de refúgio, Nando possui um sítio em Jaú, no interior de São Paulo. Lá, funciona um projeto de reflorestamento e criação de abelhas nativas e sem ferrão (meliponicultura). “Gosto de ver os enxames, a beleza daquela arquitetura, daquelas vidas, a riqueza do paladar de diferentes méis. Esse universo é uma novidade para mim. Jamais imaginaria, há cinco anos, que iria estar criando abelha”, comenta Nando, que releva ter planos de se mudar para o local futuramente.
Quando está na capital paulista, o músico procura paz nos discos. “Tenho esse prazer, quase maníaco, de pegar, limpar capa por capa, catalogar e tudo mais. Compro discos quase que diariamente”, diz.
Ídolo de diferentes gerações, incluindo aqueles que não limpam discos, mas apertam o play em plataformas de streaming, o artista comenta que é gratificante fazer sucesso entre um público diverso. “A música que fiz, e que continuo cantando, se comunica. Não acho que seja uma questão de se renovar, e sim de permanecer. As minhas canções, que canto há 30, 40 anos, a cada nova interpretação, têm outro significado”.
A fim de dar novo sentido para músicas que já carregam grandes legados, Nando foca em relançar seu primeiro disco solo, 12 de Janeiro, previsto para a data que empresta o nome ao trabalho em diversos formatos. “Terá até um LP (disco) duplo por conta da minutagem, que não cabia em um só. Isso dará também uma qualidade altíssima de áudio”, conta. É essa mesma qualidade que o público espera ver nos palcos dos shows de reunião dos Titãs com sete dos oito integrantes da formação clássica. “Os discos que fiz com o Titãs e esse repertório que pretendemos tocar, estão entre as coisas mais exuberantes que já ouvi e fiz. A oportunidade de voltar a apresentar aquilo ao vivo, coisas que não toco há 20 anos, estou muito feliz”, afirma.
Sobre reencontrar antigos colegas de palco, o cantor afirma que a reunião imediatamente aflorou todas as afinidades. “Fez com que as diferenças fossem diluídas, que fossem menos relevantes do que as semelhanças”, entrega.
O compositor não nega que ficou impactado com as últimas mortes do meio artístico, mais precisamente de pessoas que eram próximas. “Quando soube da morte de Erasmo Carlos, estava e ainda estou chorando a morte recente da Gal (Costa), a de Marcelo (Fromer), que morreu há 20 anos, e da Cássia (Eller), há 21. Recentemente, o Branco (Mello) esteve doente, então fico feliz de poder celebrar essa amizade, tocando uma música que é magnífica”, finaliza, ansioso pelo reencontro de uma história que começou na adolescência, com Arnaldo Antunes, Charles Gavin, Paulo Miklos, Sérgio Britto e Tony Bellotto.
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