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“Paul Gauguin e outro e eu”: por dentro da nova expo do MASP

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Autorretrato, de Paul Gauguin, de 1903 – Foto: Divulgação
O termo “cancelamento” já faz parte do nosso convívio. Personas públicas, cineastas, atores, políticos, estrelas de reality show e (pasmem) até personagens animados já estiveram no hall dos cancelados por seus atos ou falas. Deles, espera-se o famoso: “quem me conhece, sabe”, que na maioria das vezes pouco convence, mas é um direito inquestionável.
Mas, e quando o cancelado não está mais aqui para se defender? O Masp (Museu de Arte de São Paulo), que abrirá a exposição “Paul Gauguin: O Outro e Eu”, nesta sexta-feira (28.04), se viu em meio a essa polêmica e promete não ignorar o assunto (ou o artista). Vai abordar de maneira crítica os conteúdos centrais da obra do pintor francês. A esperança é criar uma discussão saudável sobre o tema em vez de simplesmente apagar da história um dos maiores nomes da arte pós-impressionista.
A pintura “Pobre Pescador”, de 1896 – Foto: Divulgação
Paul Gauguin, nascido em 1848 na França, teve parte de seu trabalho marcado pela viagem que fez ao Taiti, na Polinésia Francesa, em 1891. Lá, pintou os nativos e a paisagem paradisíaca local em algumas das obras que se tornaram as suas mais conhecidas (e que estarão, em grande parte, na apresentação do Masp).
Nos últimos tempos, foi iniciada uma importante discussão sobre o fato de Gauguin ter explorado a sua posição de homem ocidental e estrangeiro para se aproveitar sexualmente de mulheres e das terras que lá eram disponibilizadas para ele. Seria Gauguin o nome certo para representar uma população nativa que nunca sequer pediu para ser representada? Como, neste caso, separar a arte do artista?
Não foi só Gauguin. Grandes pintores de séculos passados representaram suas realidades de formas inegavelmente belas, porém duvidosas e problemáticas. Sempre sob a ótica masculina europeia – em sua imensa maioria – brancos e héteros, eles tinham passe livre para criar e retratar pessoas e temas em suas obras, em um tempo em que mal eram responsabilizados pelo que diziam e faziam. Para além disso, a discussão sobre se o cancelamento arruína ou não a carreira de alguém, está a toda hora sendo revisitada e discutida. Há mais inconclusões do que conclusões até aqui.
“Vaso de Flores”, de 1896 – Foto: Divulgação
Para Fernando Oliva, curador do Masp, é, sim, importante lembrar e reafirmar a posição de Gauguin nas ilhas marquesas, sob um outro ponto de vista. Mas ele considera que o conjunto da obra atravessa essa questão, uma vez que a exposição procura sobrepor o olhar do artista (europeu branco e heterossexual em lugar de poder) e chegar a um debate inclusivo, contemporâneo e realístico sobre a população local retratada. “A gente não está propondo uma separação entre a vida e a obra do artista, e, sim, perguntando quem é o outro em suas pinturas.”
O Masp, segundo Oliva, não pretende esgotar essa conversa e nem trazer respostas definitivas. “Quando uma instituição cultural decide trabalhar com um artista como Gauguin, ela está ciente do debate contemporâneo. Se fez essa escolha, tem de estar preparada para participar do debate.”
Em meio a tantos textos que questionam se deveríamos sequer olhar para as obras de Gauguin, sejam eles de pessoas especializadas no assunto ou mesmo fruto de opiniões sem grandes embasamentos, o museu se coloca em uma posição corajosa ao não ignorar a verdade por trás das pinturas e colocá-las em foco, ao lado de sua representação visual. A mostra, afinal, integra a programação anual dedicada às Histórias Indígenas.
A missão do Masp, nas palavras de seu curador, “é ser inclusivo e plural sem se furtar de debates importantes. Achamos que a vida de um artista está presente em suas obras. É uma falsa questão querer tentar separar os dois.”
A começar pelo título da exposição, o museu reforça a potência e a ambiguidade desse debate e mostra que seu posicionamento será o de enaltecer as vozes que, pelo seu status e posicionamento, o artista pode ter silenciado no passado. Em um contexto histórico, em que narrativas foram manipuladas pelos mais ricos e politicamente dominantes, o Masp propõe criar uma polifonia e trabalhar com um conceito ampliado, em que o outro lado é estudado e discutido. “Não queremos substituir uma história canônica por outra – queremos adicionar novas possibilidades”.
“Paul Guguin: O Outro e Eu”: Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, Masp, De 28 de abril a 6 de agosto
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