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Mulheres que Inspiram – Bárbara Brito: “Eu trabalho em todas as empresas em que invisto”

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Foto: Rodolfo Sanches
Ela saiu do Brasil com 17 anos em direção a Dublin, na Irlanda, para estudar comunicação, e ali começava sua carreira bem-sucedida na área de negócios, mas ela inda não sabia. Atualmente com 28 anos, Bárbara Brito é C-level [termo utilizado para designar coletivamente os executivos seniores mais altos de uma companhia] do grupo Selina, de rede hoteleira, e comanda uma estrutura de 116 hotéis ao redor do mundo – quando entrou na empresa eram 16. Viajou por 34 países a trabalho, mas sabe que isso é só uma das partes de sua experiência, teve muito mais.
Sua carreira começou na própria Irlanda, onde atuou como babá, faxineira e em uma rede de fast-food para poder bancar os estudos até o final, antes de ir para Portugal, onde deu o pontapé inicial na área de negócios.
Foto: Acervo pessoal
Em Portugal, ofereceu-se para trabalhar como voluntária no hostel onde estava hospedada, em troca de uma cama para dormir. Trabalhou como ajudante de cozinha preparando o café da manhã e arrumando camas. Pouco tempo depois, já era gerente do local e, em seguida, tornou-se gerente-geral dos hotéis do grupo, que tinha quatro unidades. Seu próximo passo foi assumir como assistente de direção na startup Selina. “De lá fui crescendo na carreira até ser o que sou hoje, a única C-level preta da empresa com menos de 30 anos”, conta.
Filha única de uma família de origem simples, Bárbara sempre sonhou grande e acredita e muito em seu potencial. Além da startup Selina, ela ainda atua em outras empresas como investidora, mas trabalha para todas elas, como a loja de roupas Diosa e o Mequelab – laboratório de comunicação que cria narrativas que estejam coerentes com o que a empresa quer vender. Aliás, o laboratório é um sucesso, e tem clientes como Arezzo, Animale, além de campanhas com Anitta e Bruna Marquezine. Em sua empreitada, ao lado da jornalista Luiza Brasil, ela busca empoderar mulheres pretas e oferecer oportunidades reais de atuação no mercado. “Eu trabalho nas empresas em que invisto”, afirma.
Bárbara conversou com a Bazaar, via Zoom, direto de Toronto, no Canadá, onde foi fazer um curso de business até o mês de junho. Depois disso, deve ir para Portugal curtir a casa que comprou em Lisboa e que, até agora, não teve tempo de aproveitar. Após esse período volta ao Brasil, mais especificamente para Copacabana, onde vive, a fim de dar continuidade a seus projetos.
Foto: AfroAfeto
Leia entrevista completa a seguir.
O que estudou?
Eu saí do Brasil com 17 anos e fui estudar comunicação na faculdade de Dublin, na Irlanda. Era para eu ficar um ano, mas acabei ficando três porque não queria voltar para o Brasil naquele momento. Mas como a minha família não tinha dinheiro para me manter lá, eu comecei a trabalhar, tinha três empregos: babá, fazia faxina quando dava e trabalhei na rede Subway, fazendo sanduíches. E assim consegui me formar. Após me formar, fui para Portugal para encontrar a minha mãe, que o sonho dela era conhecer o santuário de Fátima. Quando eu cheguei em Portugal havia três anos que eu não via sol e mar, decidi ficar por lá. Isso foi em junho e meu visto vencia em setembro, então voltei para a Irlanda para buscar minhas coisas e me estabelecer em Portugal até ir embora para o Brasil. Em Portugal, no mesmo hostel em que ficamos, eu consegui um emprego como ajudante de cozinha para preparar o café da manhã e também arrumando quartos, em contrapartida eu podia dormir lá de graça. Eu fiquei os três meses fazendo isso, até que surgiu uma vaga de recepcionista e eles acabaram por me chamar. Depois disso eu voltei para o Brasil e retornei a Portugal já com um visto de estudo. Acabei nem cursando nada, porque eu trabalhava e não tinha tempo. Fui promovida a gerente do hostel, eles tinham mais três unidades. Aí virei gerente geral desses quatro hotéis e comecei a ter uma vida um pouquinho melhor. Com isso surgiu a oportunidade de ir trabalhar em uma das empresas em que atuo atualmente, a Selina [startup judaica de rede de hotéis]. Para lá fui como assistente de direção, depois fui promovida a personal assistent do CEO da empresa, e de lá fui crescendo na carreira até ser o que sou hoje, a única C-level preta da empresa com menos de 30 anos. Quando eu comecei, nós tínhamos 16 hotéis, hoje temos 116. Lá a mentalidade é um pouco mais fechada, a progressão de cargos normalmente ocorre com homens judeus, então houve uma exceção à regra. No ano passado, durante a pandemia, eu passei um bom tempo em Cabo Verde. Viajei muito, porque o meu cargo de certa forma era abrir hotéis, e nessa jornada acabei conhecendo 34 países. Eu avaliava o local, conversava com investidores, tocava operações e por aí vai. Acabei ficando mais tempo em Cabo Verde porque tinha muitos amigos de lá em Portugal. Então, por fim, fiquei de vez em Cabo Verde e nunca aproveitei minha casa em Portugal, que era meu sonho.
Foto: Rodolfo Sanches
Quais foram as principais dificuldades que você enfrentou na carreira?
Acho que tiveram algumas, principalmente em Portugal, porque é um país extremamente racista. Não na Selina, mas na vida, havia uma certa dificuldade de as pessoas entenderem quem eu era e a posição em que estava, era muito de dúvida, o tempo inteiro eu era questionada. Vou te dar um exemplo, quando fui comprar a minha casa em Portugal, eu tinha conta há anos em um banco, e o meu contracheque era dessa mesma instituição. Quando eu fui comprar a casa a gerente do banco me perguntou se eu tinha certeza de que o extrato bancário era realmente meu. Tem essa situação de ser uma mulher preta, imigrante do Brasil, que é uma situação que eles não aceitam. Existem vários tipos de preconceito, e foi isso que acabou fazendo com que desistisse de morar em Portugal. A segunda coisa foi o etarismo, porque eu fazia o meu trabalho e as pessoas não aceitavam muito, por ser uma mulher jovem e preta na posição em que eu me encontrava. E até para subir na empresa, se não fosse meu chefe – que é um dos donos da empresa- , eu não teria chegado tão longe.
Foto: Acervo pessoal
De que maneira você ajuda a empoderar mulheres negras?
Depois de Cabo Verde, eu voltei para Portugal, mas acabei ficando só um dia, até porque minha casa estava alugada e eu não queria ficar em hotel, e acabei voltando par o Brasil. Tinha acabado de conquistar a minha cidadania portuguesa por tempo de trabalho, mas resolvi ficar seis meses no Brasil. Quando cheguei, uma das minhas amigas me pediu ajuda para construir a carreira dela, que tinha um sonho de ter uma loja, eu já trabalhava com ela de algumas formas, como consultoria e tal, mas de uma forma bem informal. E ela, que não é preta, me perguntou se eu não queria investir na marca dela, entrar como sócia. E eu decidi investir e ajudar a empoderar mulheres, esse foi meu primeiro passo. Abrimos a loja Diosa, eu e a Thamires Hauch. Então a ideia de ficar somente seis meses no Brasil foi por água abaixo, eu acabei ficando por aqui. Logo após isso, o Rodrigo França, que é um escritor, me chamou para investir em uma marca dele, que é um restaurante africano, com comida baiana etc. E eu disse vamos. Eu não me considero uma investidora “anjo” porque não entro em rodas de investimento, não estou no mercado nesse sentido. Eu trabalho nas empresas em que invisto. Depois disso, a Luiza Brasil, que é uma jornalista, e eu começamos a conversar sobre uma ideia de criar um laboratório de comunicação, e eu passei a estudar o mercado para ver como aquilo funcionava, porque apesar de formada em comunicação, eu nunca trabalhei na área. Passei a estudar essa empresa e a como colocá-la no mercado de luxo, que é a nossa intenção. E deu super certo, nós tivemos a ideia em junho, abrimos a empresa em outubro, e já pegamos nomes grandes, como Arezzo, Animale, fizemos campanhas com Anitta e Bruna Marquezine, a Luiza foi a própria estrela da campanha no ano passado ao lado da Silvia Braz.
E qual o objetivo da Mequelab?
A Mequelab é um laboratório de comunicação que cria narrativas que não sejam superficiais, nós não fazemos campanha, produção executiva. O que a gente faz é criar uma narrativa que esteja coerente com o que a empresa quer vender e o nicho que ela quer atingir, que sejam pessoas pretas, uma narrativa que seja inclusiva para todos. Nós queremos que a equipe que trabalha seja formada por pessoas diversas. Então a gente procura colocar o diretor criativo preto, uma pessoa PCD, pessoas que não sejam heterossexuais. Nós atuamos com grupos de pessoas brancas que não entendem o que nós estamos fazendo, elas sabem que é importante, mas não entendem a narrativa, só vão entender quando colhem os bônus, quando a empresa é vista de outra forma depois que a campanha está no ar. E foi muito importante par nós, pois conseguimos assinar um contrato de um ano com a Arezzo, que é o maior grupo varejista de calçados do Brasil.
Já participou de projetos sociais voltados a mulheres pretas?
Eu tive um projeto, O mulheres Luna, que eu criei durante a pandemia. Era um Instagram com o qual eu colhia informações de mulheres pretas. Agora tenho um canal no Instagram em que falo diretamente para mulheres pretas. É para todo mundo, mas por que não eu direcionar isso para o público que eu quero atingir? Então tudo o que eu falo hoje em dia no meu Instagram, como ser uma empreendedora, conselhos financeiros, como lidar com o fracasso, como ter orgulho do seu trabalho, é voltado para a mulher preta, que eu acho que é um nicho de mulheres capacitadíssimas, mas que não têm oportunidade. Acho que o fato de eu ter capacidade de falar coisas assim para uma mulher preta, vindo de outra mulher preta… Para mim, teria sido essencial há sete anos quando comecei a minha carreira.
Quais são os próximos projetos?
Eu estou abrindo mais uma marca de moda, com uma mulher preta que se chama Babi Louise, estamos investindo em um laboratório de moda que vem com um acervo. Nós começamos a fazer uns contatos com a Mind e com a Preta Gil, que agora está afastada por conta da saúde. É um laboratório de moda que vamos conseguir produzir em grande escala com roupas desenhadas pela estilista Babi Louise, são roupas que têm sua própria identidade, roupas grandes, que falem com a mulher preta. Não teremos loja física, temos apenas um ateliê no Leme, no Rio. A gente não vende roupa, a gente só vai alugar. A Babi já tem um acervo grande e precisava de alguém para estruturar o negócio e fazê-lo girar dinheiro, e eu sou essa pessoa. Eu não sou uma investidora grande, então preciso trabalhar com pessoas que entendam do que estão fazendo para que eu possa criar a situação que seja financeiramente produtiva. Eu venho do outro lado, que é estruturar o projeto, montar uma linha de negócios, fazer com que gere dinheiro e conseguir expandir.
Que conselhos dariam a jovens que querem seguir sua trajetória de sucesso?
Foi de muito sofrimento também (risos). Eu acho que é persistir, porque obstáculos vai haver o tempo inteiro. Eu acho que quando você faz um trabalho realmente bem-feito e consegue focar naquilo que você realmente acredita, não tem erro. Acho que todo mundo quer ter grana, sucesso, ser reconhecido, mas o sucesso não vai ser assim para todo mundo. É você não se cobrar tanto, entender o que é o sucesso para você, primeiramente, e ter a capacidade de aceitar o que é o seu sucesso, acho que aí está a chave.
Foto: AfroAfeto
Como você arruma tempo para fazer tantas coisas?
Nem eu sei (risos). Acho que eu me divirto muito, sabe? Eu trabalho em todas as empresas todos os dias, dou uma olhada em todos os e-mails, e vejo o que é a prioridade de cada um, mas acho que planejamento é fundamental. Sou uma pessoa extremamente organizada com o meu trabalho, com a minha vida, não (risos). No trabalho, eu sei exatamente o que eu vou fazer da hora em que acordo à hora em que vou dormir. Acho que uma coisa que mudou na minha vida recentemente e que é importante, é não viver só para o trabalho. Como ter tempo de ter um relacionamento saudável, sair com meu namorado, fazer exercícios todos os dias, correr nem que sejam 30 minutos, mudou muito a minha rotina de trabalho, ficou muito mais prazerosa. Isso me deu um outro gás, de trabalhar tanto quanto eu trabalho.
E como você descobriu isso, o que aconteceu?
E acho que foi quase um burnout que eu tive quando estava em Cabo Verde e resolvi voltar para o Brasil. Eu não ia a um restaurante legal que queria conhecer porque só trabalhava, acabava pedindo um fast-food porque eu não tinha tempo sequer de sair de casa. Trabalhava 24 horas por dias porque achava que aquilo era a minha principal satisfação. Tudo o que eu tenho hoje foi através do meu trabalho… Colocava o trabalho como a importância maior da minha vida. E não é que não seja hoje, é também. Lembro-me que naquela época me deu um estalo: o que eu quero realmente viver? Se eu morro hoje, o que acontece? Porque não sabemos o dia de amanhã. Ok, eu conheci 34 países, mas eu conheci trabalhando, ou seja, que vivência que eu realmente tive. Voltar para o Brasil me fez muito feliz, eu moro em Copacabana, perto da praia, era um sonho para mim.
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