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Mítico club parisiense Le Palace marcou uma era de glamour e hedonismo

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O fotógrafo Philippe Morillon e o artista Andy Warhol, na entrada do Palace em 1979 – Foto: Divulgação
Para ser alguém nos anos 1970 e 1980 em Paris, enquanto a moda vivia sua era mais decadente e glamorosa, era preciso estar no Le Palace. Isso, é claro, se Edwige Belmore e Paquita Paquin, as anfitriãs e guardiãs das chaves do club, permitissem a passagem.
Cruzada a porta, começavam os verdadeiros desafios: com quem flertar, quem evitar, quais drogas experimentar e, ainda mais importante, para qual cama ir depois de horas dançando sob o efeito do champagne e a trilha sonora orquestrada pelo DJ cubano Guy Cuevas.
Muitas vezes, dormir sequer era uma opção – muito menos deixar a pista. Susy Dyson, modelo e musa de Karl Lagerfeld, recorda bem ter saído da festa e se deparado com a rue du Faubourg-Montmartre completamente iluminada pela luz do sol. Já era a manhã seguinte! “Eram noites selvagens no Le Palace”, ela conta à Bazaar enquanto ri, mas guarda segredo sobre os detalhes das noites e das companhias, que incluíam alguns favoritos como Frederick Hughes, empresário de Andy Warhol, e Frederic Chandon, o herdeiro dos espumantes.
O salão do Palace em 1978 – Foto: Divulgação
Por trás de todo o espetáculo, Fabrice Emaer era o mestre de cerimônias. Uma verdadeira divindade da noite parisiense, já era dono do concorrido Le Sept quando abriu o Palace em 1978, inspirado no sucesso do Studio 54, de Nova York, inaugurado um ano antes.
No auge da vida noturna parisiense, designers, modelos, socialites e aristocratas ferviam e embelezavam as boates mais brilhantes da capital: Les Bains Douches, La Main Bleue, Régine, Castel… cada uma com listas de convidados reveladoras do who’s who da elite fashion.
Dentro do Palace, originalmente um teatro de 1923, a atmosfera era a de um vórtex de hedonismo mágico – e que havia custado mais de 15 milhões de francos para ser reformado. Cada detalhe era orquestrado por uma equipe nada discreta e que, ao longo dos anos, transformou o clube em um centro cultural.
O casal Loulou de la Falaise e Thadée Klossowski, durante a festa Anjos e Demônios em 1978 – Foto: Divulgação
Prince e Blondie estão entre os artistas que performaram ao vivo, assim como Grace Jones, que cantou “La Vie em Rose” às quatro da manhã da abertura. A performance foi uma brincadeira com a cocaína rosada em voga na pista, sempre misturada com Chivas Royal e mescalina.
A inauguração oficial, entretanto, foi responsabilidade do casal Thadée Klossowski e Loulou de La Falaise, musa de Yves Saint Laurent, que ofereceu um baile de máscaras temático, onde os convidados se vestiram de “Anjos e Demônios”. Até Jacques de Bascher, companheiro de Lagerfeld e ex-amante de Saint Laurent, apareceu, vestido do mitológico Ícaro e coberto de plumas coloridas.
A festa criou a fórmula para as noites dos anos seguintes, sempre cheias de celebridades e personalidades da moda, incluindo o recém-chegado Kenzo (que teve uma de suas festas de aniversário celebradas por lá), e musas como Jerry Hall e Betty Catroux. Essa última, carioca de nascença e alma-gêmea de YSL, também divide suas lembranças: “Le Palace era fantástico, mas enorme, então me assustava um pouco. Não gosto de lugares muito grandes, tenho fobia”, brinca, dizendo que preferia o ambiente mais íntimo do Le Sept. Anos depois, em 1981, o Palace receberia sua própria seção privada, o Le Privilège.
Jerry Hall e Mick Jagger, com Fabrice Emaer, na festa de aniversário do estilista Kenzo – Foto: Divulgação
O lugar também foi palco de vaidade e escândalos entre grupos inimigos. A princesa Diane de Beauvau-Craon, outra favorita de Lagerfeld e melhor amiga de Jacques de Bascher, recorda ter jogado champagne em Pierre Bergé, companheiro e sócio de Saint Laurent, depois que os dois brigaram durante uma noite no Palace.
Outro, ainda maior, veio em 1981, com a vitória de François Mitterrand à presidência. Seus ideais socialistas assustaram a elite francesa, que ficou ainda mais horrorizada com a declaração de apoio ao novo líder por parte de Fabrice Emaer, o dono do Palace. Já na época, Sylvie Grumbach, a relações-públicas do club, interpretou o manifesto político como um sinal do fim dos anos dourados do lugar.
Também não ajudou o fato de que os frequentadores assíduos estavam mais velhos, já casados e com famílias, ou até mesmo doentes. A AIDS havia se tornado uma realidade cada vez mais assustadora e era esse o rumor que corria em volta da morte misteriosa de Fabrice em junho de 1983.
Quaisquer que fossem os boatos, seu funeral reuniu mais de duas mil pessoas, que gritaram e aplaudiram em homenagem ao homem que criou um templo dedicado à diversão.
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