Ânimo e antecipação tomaram a Rue de Rivoli hoje, poucos instantes antes do novo desfile da Louis Vuitton em Paris que, comme d’habitude, aconteceu na Cour Carrée do Louvre. No espaço para lá de colorido que foi palco para a apresentação, foi difícil dizer quem brilhou mais: a cantora Rosalía, que abriu o show, o designer Colm Dillane, que emprestou seu olhar criativo para o ateliê da marca nessa temporada, o set lúdico, criado pela dupla de diretores franceses Michel e Olivier Gondry, ou a família Arnault, a toda-poderosa da LVMH, que entrou e saiu do evento em uma verdadeira procissão real.

O tema da vez foi o crescimento e atmosfera foi cinemática. Na passarela, storytelling filosófico foi enriquecido pela sequência de cômodos cheios de detalhes que, ao fim da apresentação, os convidados não perderam tempo em explorar. Em uma das estantes dos “quartos”, um livro infantil trazia o título: “Dis, que vois-tu?” (“Diga, o que você vê?”). O que todos viram, de fato, foi um verdadeiro espetáculo de novidades: 69 looks combinando as mais diversas referências em visuais modernos que, entre os fãs da maison, já se tornaram itens-desejo.
Para além da paleta clássica de cinzas, pretos, bordôs e manteigas, os visuais trouxeram padronagens atemporais (como o xadrez e as camuflagens) e designs inéditos, incluindo maçãs coloridas e completamente pixeladas – uma ode à era digital que René Magritte teria adorado.

A proposta de estampas desfocadas é parte de uma realidade estranha aos dias de hoje e, ainda mais importante, à Geração Z. O efeito computadorizado foi resgatado diretamente dos anos de adolescência dos millenials e o cenário contou até com um eletrônico que fashionistas mais jovens, acostumados com os smart gadgets atuais, dificilmente identificariam como um computador.
Nas estampas, também surgiram olhos, cenas de filmes e rostos tirados de pinturas criadas especialmente para essa coleção. A ideia de movimento ficou por conta das roupas criadas com, literalmente, cartas nas mais diversas línguas (recuperadas dos arquivos da marca e escritas por membros da equipe).

Os acessórios (sempre favoritos chez Vuitton) vieram em todas as formas. As clássicas ganharam repaginações divertidas, como uma versão inflada da keepall, enquanto outras surgiram em shapes inusitados: câmeras vintage e até lanternas.
O final do desfile trouxe uma multidão de pessoas para a passarela. De mãos dadas, o trio Colm Dillane, Ibrahim Kamara (stylist) e Lina Kutsovskaya (diretora-criativa) liderou a procissão de todos os membros do estúdio de criações masculinas da Louis Vuitton. Todos aplaudiram, incluindo Rosalía, que nunca saiu do palco.

Em uma última visita ao cenário caseiro, outro livro infantil sugere um questionamento: “Le mystérieux Chevalier”, o misterioso cavaleiro. Desde a morte de Virgil Abloh em 2021, a direção de menswear da marca francesa segue sem uma figura definitiva, mas nada que atrapalhe o sucesso da marca. Ao contrário, o êxtase do público pós-desfile revelou que a Louis Vuitton segue como uma das joias da coroa da semana de moda parisiense.
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