Foto: Allan & Pat / Styling: Ana Wainer
Karen Jonz acaba de lançar um feat. com o Cansei de Ser Sexy (CSS) na faixa Coocoocrazy, que estará na versão deluxe de seu álbum de estreia Papel de Carta (2022). “É uma referência para mim tanto sonoramente quanto esteticamente. Gostava muito do som delas, e mesmo agora assim, em retrospecto, acho que a gente seria da mesma cena”, conta a também skatista à Bazaar. O convite à “ídola” Luísa Matsushita, mais conhecida como Lovefoxxx, aconteceu via Instagram. E ela topou! “Mandei a música, ela adorou. Veio para São Paulo, para a gente gravar, e acabou fluindo tanto que o que ia ser uma música, acabou rendendo duas”. ET, com vocais do CSS, também entra na versão estendida do álbum, que ainda não tem data para chegar às plataformas.
O ano de 2022 foi de marcos para Karen, já acostumada com grandes feitos no skate. Ela subiu ao palco do Rock in Rio, por exemplo. Para ela, as oportunidades que vão surgindo e as portas que se abrem nessa indústria, ela tem um único jeito de lidar: “Estou adorando, me divertindo muito e tenho esse lema de que se não está leve e tá divertido, é porque tá errado”. Claro que, como todo início, existem dificuldades. Mas ela dribla, como uma manobra perigosa. “No skate foi assim, em uma época com cenário super masculino, onde era uma das únicas meninas, fui encontrando o meu caminho e seguindo uma luzinha”.
A música de disco-punk traz um refrão em inglês em referência ao CSS, o clipe foi filmado em super-8 em Los Angeles, nos Estados Unidos, com direção de Camila Cornelsen e styling por Ana Wainer. A faixa foi produzida no Dark Matter Studios por Lucas Silveira. Leia abaixo a íntegra do papo de Karen:
Harper’s Bazaar – Como você e a Luiza (CSS) se conectaram? E de onde surgiu a parceria pro feat.?Karen Jonz – A CSS é uma banda que é uma referência para mim tanto sonoramente quanto esteticamente. Gostava muito do som deles, na época que eles estavam tocando, e mesmo agora assim, em retrospecto, acho que a gente seria da mesma cena. Acompanho a Luiza no Instagram, sei que ela está morando em Floripa, e mudou completamente de vida. Ela é artista, então comecei a admirar ela ainda mais como pessoa. Tava pensando em fazer um cover, um amigo sugeriu uma muito lado B, que só tem no YouTube e não foi nem lançada oficialmente. Ela é bem gritaria, bem roquinho… A gente ficou com essa música na cabeça, e falei: por que não chamo a Luiza pra um feat.? Faria muito sentido ter um feat. com o CSS. Mas foi meio maluco assim (risos). Mandei um inbox, ela me respondeu. “A gente te adora, as meninas da banda te adoram. Vamos trocar ideia e tal”. Mandei a música para ela, ela adorou, que era “ET”. Ela veio para São Paulo, pra gente gravar, e acabou fluindo tanto que o que ia ser uma música, acabou rendendo duas: Coocoocrazy e ET.
Foto: Allan & Pat / Styling: Ana Wainer
HB – A Luísa Matsushita é superconectada com meio ambiente, chegou a morar na Amazonia… Você já teve alguma experiência imersiva assim?KJ – A Luísa é muito ídola nesse sentido. Eu também sou bem conectada. Já fui vegana uma época, me preocupo muito com a alimentação, de onde vem o meu alimento, qual a cadeia de produção dele, tento não produzir muito lixo. Já fiz compostagem aqui em casa, mas essas compostagem de apartamento, sabe? Nada comparado ao que ela faz lá. Tenho energia solar, também. Tudo o que está ao nosso alcance econômico, também, de diminuir o impacto ambiental, a gente faz. Sempre prefiro marcas preocupadas com essa cadeia de produção slow, de não gerar tanto lixo, pagar os funcionários direito e evitar a exploração de mão de obra. Sou bem conectada a isso…
HB – Como você, enquanto atleta, vai se embrenhando no meio musical? A disciplina é o asset que mais utiliza na hora de compor e se compenetrar para gravar? Qual atributo do esporte você leva para a música?KJ – Eu acho que como atleta, como skatista, o que mais interconecta com a música é a criatividade, né? Nunca fui muito disciplinada, inclusive o skate em alguns momentos me ensinou bastante (sobre) disciplina, mas não é o meu o meu forte. O lance da criatividade e da inspiração é o que tenho em comum e que trago do esporte para a música.
HB – Você e o Lucas Silveira (marido) trocam bastante sobre música?
KJ –Além de meu companheiro, ele é meu produtor. A gente conversa bastante sobre música, tanto quando a gente tá compondo, no estúdio e fora, também. Essa semana, a gente está em uma grande discussão sobre plágios e propriedade intelectual por conta do lançamento da música da Miley Cyrus (Flowers), que a gente já viu também em outras músicas, como (quando teve a comparação entre) a Olivia Rodrigo e o Paramore. Então, a gente conversa muito sobre música e tem bastante essa troca.
HB – Como você avalia sua estreia na música, que te levou ao Rock in Rio?KJ – Muito positivamente, apesar de o show no Rock in Rio ter sido um susto. Não consegui nem avaliar direito porque foi uma estreia gigantesca e surreal. Tenho oportunidades que surgem e tão surgindo oportunidades brilhantes, né? Então, eu estou adorando, me divertindo muito e tenho esse lema de que se não está leve e tá divertido, é porque tá errado. Claro que tem dificuldades em todo o processo, mas tento sempre enxergar as aberturas no que quer que eu faça. No skate foi assim, em uma época com cenário super masculino, onde era uma das únicas meninas, fui encontrando o meu caminho e seguindo uma luzinha. Dentro disso, consegui conquistar um monte de coisa, abrir um monte de porta e, na música, acho que é por aí, também. Vou fazendo o que o meu coração fala e as oportunidades que vão se apresentando, vou aproveitando. Acho que é um bom caminho!
HB – O que almeja para este 2023?KJ – O contexto atual é que não estou competindo, então acabo tendo mais tempo e mais vontade de me dedicar à música. Tenho trabalhado bastante minha carreira musical tanto na parte composição, quanto na parte de clipe, divulgação, shows… Sinto que tá tudo em fluxo e, para esse ano, a gente tem programado vários lançamentos, além desse clipe. Spoiler: a gente vai ter outro clipe de um single muito legal, uma música que amo e os fãs, também adoram. Claro que é muito cedo, não vou dizer se no fim desse ano ou início de 2024, mas já estou trabalhando no próximo disco. A gente trabalha com muita antecedência, porque a gente está lançando uma coisa agora e já está trabalhando no que vai sair daqui a seis meses. Então, é muito difícil se manter no presente. Você está sempre com o olho no futuro. Tenho uma certa dificuldade, mas estou aprendendo…
HB – O que ou quem gosta de ouvir, que pode ser sentido como referência nesse trabalho?KJ – Minhas top artistas são a Chloe Moriondo, Will Smith… Gosto muito de vocal feminino. Japan House, também. Gosto da banda Tuyo, minhas amigas inspiradoras. Tem música delas que ouço e falo: nossa, queria muito ter feito. Tento produzir algo que gosto. Estou em uma fase bem roqueira, de vocal de mina. Sempre gostei de Alanis (Morissette), Hole, No Doubt, Lauryn Hill, e depois que passei um tempo assim em uma fase de bandas de homens, como Silverchair e Nirvana. Agora tenho curtido muito ouvir banda de mina e estou: “nossa, é muito legal ouvir as minas cantando”.

De volta para o futuro
Gravado em duas partes, no Brasil e em Los Angeles, nos Estados Unidos, o clipe dirigido por Camila Cornelsen tem um ar de nostalgia e apresenta as cantoras em versões atuais e suas versões em miniatura, diretamente dos anos 2000 (uma ode à Y2K, década também que o CSS fez bastante sucesso mundo afora). Não é nem preciso dizer que a versão mini de Karen no clipe é sua filha Sky (do relacionamento com Lucas Silveira). “Ela assiste muito ‘Naruto’, que é um anime, e eles fazem uns gestos com as mãos chamado Jutsu, e você lança um poder. Sou bem conectada com isso, estudo I Ching, e o lance da magia está muito presente no meu dia a dia, então faz bastante sentido trazer isso para o clipe de forma imagética e simbólica”, conclui. A produção ainda tem uma réplica do carro DeLorean, utilizado por Marty McFly e Doc Brown para viajar no tempo no filme De Volta Para o Futuro, também faz uma ponta.

O post Karen Jonz sobre incursão pela música: “se não está leve e tá divertido, é porque tá errado” apareceu primeiro em Harper’s Bazaar » Moda, beleza e estilo de vida em um só site.