Guilherme Valente – Foto: Divulgação
Com um mix de acessórios no corpo e uma ecobag no braço, quem poderia imaginar que o menino de 21 anos, encostado em um canto e aureolado pela luz vermelha de um dos bares mais descolados de São Paulo, é a promessa de uma nova geração de sucesso na moda nacional? Bazaar, é claro!
Depois do sucesso de seu primeiro desfile (na verdade, seu trabalho de conclusão do curso de Moda na Faculdade Santa Marcelina, em SP), Guilherme Valente virou alvo do mundo em que sempre sonhou trabalhar. De madrugada, com sorriso incansável e incrédulo – e com o celular ainda vibrando com mensagens sobre o espetáculo da noite anterior -, o jovem natural de Taboão da Serra confessa brincando: “Chorei só um pouquinho”.
O eufemismo não faz jus às primeiras repercussões acerca de seu début, de onde foram pescados dois looks teatrais para vestir a atriz Lucy Alves, nossa covergirl, nas páginas dessa edição. “Eu estava muito orgulhoso e feliz”, relembra sobre a sensação nos minutos de aplauso que se seguiram ao desfile. “Mal conseguia levantar o rosto, só olhava para os meus filhos”, como chama carinhosamente suas criações. Não foi uma visão pouco impressionante: os seis modelos são escandalosamente volumosos e coloridos – advérbio nada inapropriado, já que a própria coleção é batizada de “Scandalous”.
A linha surgiu como “um regaste de um sentimento de infância, de querer ser eu mesmo, mas precisar me esconder”, explica. “‘Scandalous’ é sobre a autoaceitação de pessoas afeminadas”.
Guilherme Valente – Foto: Divulgação
A narrativa por trás dos visuais nasce da vida noturna paulistana, onde o estilista desenvolveu sua identidade pessoal. No seu imaginário, existe uma certa nostalgia pela lendária cena gay que tomou a Rua Augusta durante os anos 1990 e que, pelo timing incômodo, Guilherme não viveu. No hall de referências, o DJ Johnny Luxo, patrimônio da nightlife na capital paulista, e o cineasta Lufe Steffen, conhecido por seus projetos com a temática LGBTQIA+, ocupam uma posição de destaque.
“Scandalous”, nas palavras do designer, é sobre autoestima. “Na comunidade gay, é comum a exclusão de homens afeminados”, reflete, defendendo sua proposta de celebrar o feminino no que ele chama de “bicho-bicha”, em referência às criaturas no reino animal que demonstram hábitos homoafetivos, como o leão, o elefante e a girafa. “Eu bebi de muitas referências”, conta, sem deixar de mencionar os desafios do processo criativo.
Depois de ficar infeliz com o resultado de uma primeira coleção, descartou as ideias para começar do zero. “Nessa crise, voltei às boates para observar e tudo que eu enxergava eram silhuetas pretas. Coloquei isso no papel, com nanquim, e a coleção nasceu daí.”
Agora, os olhos já estão voltados para as próximas novidades da marca, que ele decidiu nomear GUILHERME VALENTE. No radar, já constam preparos para uma segunda coleção que, de acordo com ele, ainda que sem certezas, deve incluir verdes na paleta (a cor não apareceu entre as primeiras peças). Um desfile na próxima edição da Casa de Criadores também já é uma possibilidade… e por que não? Tudo é possível no horizonte do menino-prodígio.
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