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“Gostaria de vê-lo abandonando tudo”, revela Brian Cox sobre final de “Succession”

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Brian Cox em “Succession” – Foto: Divulgação
Por Duda Leite
Em algumas sociedades, o rei tem de morrer para que seu sucessor ocupe o trono. De certa forma, é a mesma premissa da série “Succession”, cuja quarta e última temporada acaba de chegar à HBO Max. Criada por Jesse Armstrong, a trama gira em torno de uma família disfuncional que tem como patriarca o todo poderoso Logan Roy – interpretado com bravura pelo escocês Brian Cox. A boca suja de Logan levou o ator a situações bastante inusitadas, como conta na entrevista a seguir. “Quem poderia imaginar que, na minha idade, meu bordão seria ‘fuck off’ (dane-se em tradução branda)”, diverte-se Cox, via Zoom, de sua casa em Londres.
É possível traçar certos paralelos com a peça “Rei Lear” de Shakespeare, na maneira como Logan decide dividir seu reino entre os filhos Roman Roy (Kieran Culkin), Siobhan (Sarah Snook), Connor (Alan Ruck) e Kendall (Jeremy Strong). Segundo o protagonista, Shakespeare teve uma família bastante disfuncional. “Achava que o teatro não era para mim, um garoto da classe trabalhadora”, ri.
Sem spoilers, dá para notar que a luta final pelo poder será sangrenta. Bem diferente do desejo de Brian: “chega um momento que você só quer ter uma vida sossegada”. Dono do conglomerado de mídia Waystar Royco, que inclui um canal que acena à direita, o protagonista tem quatro filhos de olho nas empresas do pai. “As pessoas são ridículas. E a série é justamente sobre isso: o ridículo declínio da experiência humana, concentrado nessa família grotesca”.
Leia a entrevista completa abaixo:
Brian Cox em “Succession” – Foto: Divulgação
Harper’s Bazaar – Você e seu personagem nasceram em Dundee, na Escócia. Mas, ao que parece, é a única coisa em comum. É verdade?
Brian Cox – Originalmente, Logan teria nascido em Quebec, no Canadá. Quando conversei com Jesse Armstrong (o showrunner da série), sugeri que ele fosse escocês, dessa forma teríamos isso em comum. Mas Jesse disse não. Então, comecei a atuar com um sotaque americano. Até que, no nono episódio, Peter Friedman, que interpreta Frank, me disse que Jesse havia mudado meu local de nascimento. Perguntei: “onde eu nasci?”. “Em um lugar chamado Dundee, na Escócia”. Que coincidência! Passei os primeiros oito episódios falando como um ianque para descobrir que eu era escocês (risos). Fui falar com Jesse, e ele me disse que era uma surpresa e ele havia abandonado a Escócia muito cedo. Na terceira temporada, ele criou um episódio onde Logan retorna a Dundee. Minha família ficou muito feliz. Fomos gravar lá com toda a equipe, e todo mundo queria saber a minha história com a cidade. Fiz um tour, mostrando onde havia estudado, minha (antiga) casa, a igreja que frequentava. Enquanto me divertia, Logan, na ficção, detestava ter que passar por tudo aquilo. Foi uma experiência bem complexa e estranha.
Onde você encontrou a humanidade de Logan?
Logan é uma pessoa bastante castigada. Acredito que, no início, ele tinha ideais ligados à esquerda, mas sua experiência o influenciou a seguir na direção oposta. Ele é um absolutista. No entanto, temos algo em comum: achamos que a experiência humana é bastante questionável. Estamos atravessando um período muito ruim. Mas ele lucra com isso, vê pessoas passando por dificuldades e tira vantagem disso. Sou bem diferente. Ainda me preocupo com o que está acontecendo no mundo. Em teoria, não deveria mais me preocupar, mas não consigo. E Logan é obcecado com sua criação. Isso o deixa cego. Gostaria que os filhos fossem diferentes. Ele quer ter certeza de que suas vidas serão boas. Eles se sentem no direito de sucedê-lo, que não conseguem enxergar nada além. Acho brilhante a forma como Jesse e os roteiristas contam essa história. E é por isso que os roteiros são tão bons.
Tem alguns diálogos bastante extremos na série. Quando você recebe os roteiros, fica surpreso com algumas falas?
É bastante libertador falar coisas que você jamais falaria na vida real. Você está falando em um ambiente específico, portanto, ganha carta branca para falar qualquer absurdo. Quem poderia imaginar que, na minha idade, meu bordão seria ‘fuck off’ (foda-se, em tradução livre). As pessoas são seres extraordinários. Certa vez, estava fazendo uma peça de teatro no Lincoln Center, e veio um casal bem jovem falar comigo. A garota me pediu educadamente: “você poderia me mandar me f…?” Eu falei com prazer! Mas aconteceram algumas situações bastante inapropriadas. Fui a um encontro do Me Too, com o (jornalista) Ronan Farrow e todas aquelas mulheres de Hollywood. E algumas pessoas vieram até mim, com seus celulares, e me pediram para eu falar ‘fuck off’. As pessoas são ridículas! (risos)
Jeremy Strong, Sarah Snook e Kieran Culkin em “Succession” – Foto: Divulgação
Você já interpretou a peça “Rei Lear” várias vezes. De que maneira acredita que “Succession” é shakespeariana?
Shakespeare é o maior que temos. Comecei a fazer Shakespeare muito jovem, aos 20 anos. Fiz vários personagens, como Tito Andrônico, Orlando, Mercúcio, Iago. Foi incrível. Uma vez que você experimenta isso, é algo que nunca mais sai. Então, ao ficar mais velho, interpretar Rei Lear foi quase inevitável. É uma peça exaustiva. Quando interpreto Logan, há referências claras a Lear. A forma como ele lida com seus filhos. E o fato de ele estar dividindo seu reino. Logan está fazendo a mesma coisa.
Nesta quarta e última temporada de Succession, qual gostaria que fosse o final de Logan?
Gostaria de vê-lo abandonando tudo para trás e se mudando para uma ilha. E deixando tudo para os filhos. E dizendo: “fuck it, para mim chega!”. Mas é claro que ele jamais faria isso. Esse seria o meu desejo. Tem um momento em que você chega em uma idade e a um nível de exaustão, que você só quer ter uma vida sossegada. Mas Logan é muito controlador. Esse é o seu grande desafio: o fato dele ter essa personalidade tão controladora. Eu sou o oposto. Até deveria ser mais, mas essa é a vida de ator.
Acredita que vocês têm um ponto de convergência?
Ambos estamos decepcionados com a direção que a humanidade escolheu. Estamos vivendo um momento desastroso, com a Guerra na Ucrânia e tudo isso que está acontecendo na Europa. Perdemos nossa credibilidade. A humanidade tornou-se uma piada. Vai melhorar, tenho certeza. Mas não sei se ainda estarei aqui. Precisamos acreditar nisso. Por isso, acredito que o teatro é a verdadeira igreja. Porque nos mostra, de fato, quem realmente somos. Mostra a natureza humana e o que está acontecendo. Mostra nossas idiotices e nossos sistema de crenças. É isso que me fascina. Não conseguimos aceitar nossas fragilidades. Não conseguimos aceitar que chegará um momento em que não existiremos mais. “Oh, eu não existo mais!” Apenas, faça seu trabalho e caia no esquecimento. E se divirta fazendo isso.
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