Foto: Divulgação
Por Fernanda Fehring
Conhecer a Amazônia é uma experiência transformadora que tem um impacto profundo em quem tem a oportunidade de visitá-la. A maior floresta equatorial do planeta é, sem dúvida, o maior atrativo turístico da América do Sul – e muitos vêm à Amazônia atrás de uma experiência de aventura, contemplação e, acima de tudo, conhecimento. 
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Dona de um dos biomas mais ricos em biodiversidade do mundo, seu território de quase 7 milhões de quilômetros quadrados se estende por nove países (Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa) e somente a parte brasileira da floresta conta com quase 5 milhões de quilômetros quadrados – ocupa 40% do território nacional – e se estende por 9 estados brasileiros.
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Os números dessa imensidão toda impressionam. Pesquisadores calculam que existam em seu território 3.000 espécies de peixes, 427 de mamíferos e mais de 1.300 espécies de aves – um em cada cinco pássaros do mundo vive na Amazônia. Só de plantas, já foram catalogadas cientificamente 40 mil espécies. Além disso, a floresta é também o território mais populado por indígenas do planeta, com 433 mil indivíduos. A bacia amazônica, a maior do mundo, é um sem fim de enormes rios de águas barrenta – como o Rio Amazonas, de águas claras – como o Xingú e o Tapajós, e de águas pretas, como o Rio Negro.
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E é exatamente no Rio Negro que se encontra uma das joias da Amazônia, o Arquipélago de Anavilhanas. Localizado entre Manaus e Novo Airão, é um local de rara beleza, que foi eternizado pelo fotógrafo Sebastião Salgado em seu livro “Amazônia” – e admirado por milhares de visitantes em sua exposição homônima que rodou o mundo. O arquipélago é uma unidade de conservação brasileira administrada pelo ICMBIO e visitas são permitidas apenas para fins educacionais, recreativos e para pesquisas científicas. Anavilhanas é um excelente local para começarmos a entender um pouco sobre a Amazônia amazonense, sobre as comunidades ribeirinhas, os enormes desafios para manter a floresta intacta, e a importância de ações de proteção ao meio ambiente.
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Manaus
A viagem começa pela capital Manaus, localizada às margens do Rio Negro, e porta de entrada para a floresta. A cidade de 2 milhões de habitantes ficou conhecida como a “Paris dos Trópicos” durante o ciclo da borracha graças ao luxo de sua arquitetura com influência europeia. Como exemplo deste legado, o bonito Teatro Amazonas, construído no Largo de São Francisco no Centro Histórico, ainda é uma das principais atrações da cidade. 
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Juma Ópera Hotel
Bem em frente ao teatro, em uma localização para lá de privilegiada, encontra-se o charmoso hotel Juma Ópera, uma das melhores opções de hospedagem na capital amazonense. Localizado em duas casas tombadas e restauradas à perfeição, o hotel butique tem vista limpa – e linda – para o Teatro Amazonas e sua colorida cúpula com a bandeira brasileira. A propriedade conta com 41 quartos decorados com bom gosto e ornados com o bonito artesanato local. 
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Como destaque, a propriedade conta com um charmoso rooftop, com direito a uma piscina e vista para o teatro e outros prédios históricos da cidade. E conta também com o elegante Restaurante Ópera, com menu criado pela chef Sofia Bendelak, com pratos contemporâneos com uma pitada amazônica.  O serviço atencioso e simpático do hotel já nos dá uma pista sobre a hospitalidade amazonense que encontraremos pelo estado afora.  
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Arquipélago de Anavilhanas
A próxima parada, o Parque Nacional de Anavilhanas, é considerado por muitos um dos lugares mais bonitos da Amazônia, e de fato, a natureza do lugar é extraordinária. Para chegar até lá é preciso percorrer um trajeto de quase três horas de viagem em uma estrada entre Manaus e Novo Airão, a maior cidade da área e o gateway para os passeios de barco pela região. 
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A maior atração do parque nacional, o belíssimo Arquipélago de Anavilhanas, é um extenso “labirinto verde” que possui 400 ilhas, 60 lagos, muitos paranás (canais de rio) e furos (passagens que atravessam os Igapós). O local tem como característica principal as ilhas permanentes que formam o segundo maior arquipélago fluvial do mundo, atrás apenas de Mariuá – localizado um pouco mais acima do Rio Negro, este também o rio de água escura mais extenso do planeta.
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Os grandes destaques da região são os belos Igapós (florestas submersas), as árvores belíssimas, as comunidades ribeirinhas – que fazem parte de uma bem organizada RDS (Reserva de Desenvolvimento Sustentável) – e a fauna, que conta com mamíferos como botos, peixes-boi, lontras e ariranhas. É possível avistar também os temidos jacarés-açus – que podem pesar até 300 kg, algumas enormes sucuris, e as onças pintadas e jaguatiricas, muito reclusas.
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Anavilhanas Jungle Lodge 
E é neste cenário encantador, no coração da Floresta Amazônica, que encontramos um hotel de selva especialíssimo. Com apenas 22 bangalôs muito bem decorados e equipados e com vista para as árvores, o Anavilhanas Jungle Lodge é o pouso ideal para quem quer conhecer a floresta com conforto e segurança. 
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Mas engana-se quem pensa que a propriedade de frente para o Rio Negro é apenas um bonito e exclusivo hotel de luxo na floresta. O Anavilhanas Jungle Lodge foi concebido pelos donos Fabiana Boaretto e Gusto Costa Filho com o intuito principal de proteger o meio ambiente e preservar a cultura local – e para oferecer ao visitante uma experiência educativa de imersão completa na floresta. 
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Para atingir este objetivo, o lodge conta com boa uma gama de atividades que vão desde trilhas pela mata, até passeios em barcos regionais, canoagem pelos igapós e igarapés (florestas submersas e nascentes), visitas às comunidades ribeirinhas, focagem noturna de animais e pesca recreativa. 
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Todas as atividades feitas por lá contam com o apoio de experientes guias locais que são treinados a não intervir na vida silvestre. Através dos guias, os hóspedes aprendem também sobre a cultura local e sobre a importância de cuidar e proteger o meio ambiente. 
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Sustentabilidade e desenvolvimento social
Já sabemos que a exploração do arquipélago de maneira consciente e o aprendizado sobre o modo de vida da comunidade local são a raison d’être do hotel, mas é preciso frisar que quando o assunto é “ações sustentáveis”, o Anavilhanas brilha como poucos hotéis no Brasil ou no mundo. É importante ressaltar também, a importância que ações como as do hotel têm em países como o Brasil e principalmente em regiões como a do parque nacional – que nos últimos viu minguar os recursos para a proteção de sua flora e fauna. 
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Tendo a educação como principal pilar de suas ações, o hotel desenvolveu e implementou projetos para a melhoria na qualidade de vida das comunidades ribeirinhas vizinhas, financiou escolas e investe pesado na educação ambiental da população local.  
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O trabalho tem trazido resultados concretos para a população. Sua equipe é composta majoritariamente por moradores das comunidades locais e através de ações educativas sobre a importância do turismo regenerativo para a região, o engajamento dos locais tem crescido. Esse trabalho resultou no aumento da escolaridade da região e no uso consciente do solo, no reuso e reciclagem de matérias, na geração de renda complementar e, acima de tudo, na valorização da cultura local. Parece muito, e é. 
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São ações como essas, vindas da iniciativa privada, de ONGs e de cidadãos comuns que têm feito a diferença na proteção do nosso bem maior: a nossa floresta e nossos rios. Um viva para quem trabalha para proteger a natureza. O planeta agradece. 
Juma Ópera HotelRua 10 de Julho, 481 – Centro,Manaus, [email protected]
Anavilhanas Jungle LodgeParque Nacional de AnavilhanasUarini, [email protected]
@fernandafehring é formada em Hotelaria, Gastronomia e Turismo pela Universidade de Surrey, na Inglaterra, e em Cozinha pela École Le Cordon Bleu, de Paris. Foi expatriada por 18 anos, morando em países como Inglaterra, Alemanha, China, França e África do Sul. Mas é no Rio de Janeiro que Fernanda se sente mais feliz. Formada pela McQueens de Londres, Fernanda teve um ateliê de flores durante seis anos no Rio. Trabalha atualmente como curadora de viagens e colunista, e sua grande paixão são as viagens de natureza e de isolamento. País preferido no mundo? África do Sul. Viagem dos sonhos? Alasca.
O post Fernanda Fehring – No coração verde do planeta: uma viagem à Amazônia brasileira apareceu primeiro em Harper’s Bazaar » Moda, beleza e estilo de vida em um só site.