Foto: Alex Falcão
A calvície afeta aproximadamente 42 milhões de brasileiros, sendo muitos deles jovens entre 20 e 25 anos. Cerca de metade de todos os homens lidam com calvície progressiva aos 40 anos. A boa notícia? Existem mais opções hoje do que há uma década para ajudar os pacientes mais jovens a retardar a queda de cabelo, fortalecer os fios existentes e até recuperar parte do que foi perdido. A má notícia? Calvície não tem cura: pode começar a se apresentar já na adolescência, e a causa é uma sensibilidade genética a um subproduto da testosterona, a dihidrotestosterona (DHT), que faz com que os folículos pilosos encolham. Este é o culpado mais comum, respondendo por até 90% dos casos iniciais de calvície.
Esse cenário começou a mudar nos últimos meses, com a divulgação em revistas científicas de dois estudos que já são vistos como a grande promessa em prevenção e tratamento da queda capilar. No primeiro deles, pesquisadores japoneses geraram folículos capilares em laboratório, a partir de células-tronco. Uma equipe de cientistas da Universidade Nacional de Yokohama publicou o estudo na revista “Science Advances” intitulado “Reprogramação de microambientes tridimensionais para indução folicular capilar in vitro”, descrevendo o uso de células embrionárias para criar um folículo capilar que cresceu três milímetros em 23 dias.
Os cientistas disseram em um comunicado que a pesquisa “poderia ser valiosa para uma melhor compreensão da indução do folículo piloso, para avaliar as drogas para o crescimento do cabelo e para a regeneração dos folículos”. “Nosso próximo passo é usar células de origem humana e aplicar para o desenvolvimento de medicamentos e medicina regenerativa”, disse Junji Fukuda, professor da Universidade Nacional de Yokohama, no comunicado.
O estudo marcou a primeira vez que um folículo piloso maduro foi cultivado em laboratório. Embora o desenvolvimento tenha grande potencial para pessoas com calvície, há outras razões para se entusiasmar com essa pesquisa: esta nova compreensão de como as células interagem pode ter implicações muito maiores para o entendimento e correção de defeitos em outros tecidos que contêm tipos semelhantes de células, do diabetes ao câncer.
Embora os folículos pilosos cultivados em laboratório provavelmente estejam a anos de chegar à cabeça de uma pessoa calva, outros avanços nessa área se mostraram promissores. E, aqui, entra o segundo estudo que chamou a atenção da comunidade científica mundial: cientistas descobriram um adesivo simples que pode ajudar a curar a calvície. Feito de agulhas minúsculas e criado por inteligência artificial, pode recuperar o cabelo perdido.
Foto: Alex Falcão
Foram pesquisadores da China que desenvolveram esse protótipo, que efetivamente regenerou o cabelo em camundongos. Em 13 dias, recuperou os fios grossos com mais eficácia do que em outros camundongos tratados com testosterona ou minoxidil, usado em produtos anticalvície.
O adesivo funciona neutralizando componentes que fazem com que o cabelo fique mais fino e eventualmente desapareça. A inteligência artificial entra nessa equação ao prever compostos que poderiam neutralizar reações causadoras de queda no couro cabeludo. Testes iniciais na pele humana mostraram que eles reduziram significativamente a quantidade de radicais livres sem causar danos.
Os folículos pilosos podem ser danificados por hormônios sexuais masculinos, inflamação ou por ter muitas espécies reativas de oxigênio, como radicais livres. “O ideal é trazer esse folículo para a máxima saúde, não podemos deixá-lo morrer, senão só o transplante capilar será a solução”, diz a dermatologista e tricologista Luciana Passoni.
A calvície é mais, bem mais do que apenas perder cabelo. Para muitos homens, afeta a masculinidade e a autoconfiança. Segundo a dermatologitsa e tricologista Ana Carina Junqueira, o futuro do tratamento está muito próximo e envolve abordagens multifatoriais. “Acredito que elas não conseguirão erradicar 100% do problema, mas atuarão na grande maioria das causas da calvície, com atuação em três frentes inovadoras: o uso de imunoreguladores, drogas moderníssimas que atuarão na imunidade capilar; as terapias celulares regenerativas do tecido capilar; e o controle do microbioma do couro cabeludo, restaurando a saúde e a qualidade dos folículos”, diz a especialista. “Essas são as minhas apostas, que acabam de ser apresentadas no Congresso Mundial de Cabelos, que aconteceu na Austrália.”
O post Dois estudos recentes prometem novidades no tratamento da calvície apareceu primeiro em Harper’s Bazaar » Moda, beleza e estilo de vida em um só site.