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Como a Harper’s Bazaar transformou Mary Quant em um ícone da moda

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Maru Quant com o marido, Alexander Plunkett-Greene, c. 1960 (Foto: Getty Images)
Mary Quant virou notícia mais de uma vez em sua trajetória na moda. A última? Sua morte, aos 93 anos, em 13 de abril de 2023. Antes disso, foi uma das it-girls favoritas dos Swinging Sixties fashionistas que, nas mãos dela, viram a minissaia se popularizar. A origem do item, que entrou na história para nunca mais deixá-la, é incerta e tema de debate, mas sua força como peça revolucionária no guarda-roupa feminina é definitiva. Para ajudar a impulsionar o estilo, Mary Quant estava lá, desde 1955, direto de sua boutique BAZAAR, no bairro de Chelsea, em Londres. E por uma coincidência luxuosa, a Harper’s Bazaar, título de moda mais antigo do mundo, também ajudou a transformá-la em um ícone.
Antes mesmo de inaugurar a loja (um fato que atrasou algumas semanas, segundo a própria revista na época), a Harper’s Bazaar já divulgava o que os clientes poderiam encontrar nas araras. Na edição de setembro de 1955, na seção “Shopping Bazaar”, uma pequena fotografia já mostrava pijamas estampados e uma variedade “maravilhosa” de chapéus. De fato, as peças ainda não eram autorais. Nos primeiros anos de BAZAAR, Quant vendia apenas suas “bouillabaisse” – produtos e roupas curiosas, que importava da Itália e Áustria –, mas já fazia sucesso. Em 1957, teve seu primeiro retrato publicado em uma revista de moda, na edição de julho da Harper’s Bazaar, onde recebeu uma página inteira dedicada à foto (colorida!) e foi descrita como “uma designer jovem e inteligente”.
O primeiro retrato de Mary Quant em uma revista de moda, na edição de julho/1957 da Harper’s Bazaar (Foto: The Hearst Archives)
Quando começou a assinar suas próprias criações, ‘MQ’ ficou ainda mais em evidência. Seus designs coloridos, jovens e confortavelmente básicos representavam uma verdadeira revolução no estilo londrino. Seu sucesso resultou na abertura de uma segunda boutique, em 1958, agora em frente à luxuosa (e tradicional) loja de departamentos Harrods. A decisão do endereço foi deliberadamente provocativa e colocaria Quant no centro das atenções da capital inglesa. Enquanto até 1960 as etiquetas de suas roupas traziam apenas o nome da marca, “BAZAAR”, em 1961 elas passaram a estampar “BAZAAR/DESIGNED BY MARY QUANT”. A mudança não durou muito e, já no ano seguinte, o único nome impresso nas roupas era “MARY QUANT”.
Nesse mesmo momento, em 1962, as criações da estilista passavam a cobrir verdadeiros editorais em revistas de moda – uma decisão ousada, já que se diminuíam os destaques das maisons de alta-costura parisiense para privilegiar as novidades que surgiam em outros cantos do universo fashion. Na edição de março da Harper’s Bazaar, por exemplo, a modelo Jean Shrimpton posou para Richard Dormer com o conjunto “Tutti Frutti”, de saia levemente acima do joelho, já dando os primeiros sinais da minissaia que viria ainda naquela década. Meses depois, na publicação de outubro, foi a vez da modelo Celia Hammond aparecer nas páginas da Harper’s com um modelo Quant original: um conjunto ousado de tweed cinza, combinado com uma camisa listrada e uma gravata de poás. Ao contrário de muitas outras criações dos primeiros anos de Quant, o visual sobreviveu e, hoje, ainda se encontra no acervo do Victoria & Albert Museum, em Londres.
A fachada da primeira boutique BAZAAR, de Mary Quant, fundada em 1955. (Foto: Getty Images)
Com as imagens de seus designs cada vez mais famosas, Quant promoveu também ajudou a promover uma revolução no ideal de beleza feminino. Enquanto as modelos dos anos 1950 procuravam emular a estética de mulheres mais velhas, casadas e da alta-sociedade (como Jean Dawnay e Barbara Goelen), as “meninas” Quant era exuberantemente jovens. Shrimpton e Hammond eram recorrentes nas campanhas da estilista e nas páginas da Bazaar, junto com as colegas Grace Coddington, Jill Kennington e Twiggy.
Catapultada pelo sucesso de Quant e o visual andrógino que definiu a era, Twiggy se tornou “O Rosto de 1966”, segunda a imprensa na Europa. Em paralelo, atravessando o Atlântico, a moda definiu aquele mesmo ano como “The Luna Year”, em homenagem à modelo americana Donyale Luna – a primeira modelo negra a estampar uma capa da Harper’s Bazaar, em janeiro de 1965. Meses depois de se tornar a covergirl da revista, ela se mudou para Londres e virou uma das favoritas de Mary Quant, que passou a investir em campanhas contra a segregação racial. Graças ao sucesso, Luna fez parte do elenco do filme Who Are You, Polly Magoo? (1966), que também contou com a atriz Grayson Hall no papel da editora de moda Miss Maxwell, inspirada na figura da lendária editora da Harper’s, Diana Vreeland.
Mary Quant com Vidal Sassoon, o cabeleireiro lendário que assinou seu corte de cabelo ainda mais icônico, em1964. (Foto: Getty Images)
Para além das modelos, Quant fez amizades igualmente importantes com fotógrafos e diretores de moda influentes. Entre eles, o loiro John Cowan, discípulo de Martin Munkácsi, fotógrafo que fez história na Harper’s Bazaar durante a década de 1930. Norman Parkinson, outro nome da fotografia que colaborou com a revista, também fez parte do círculo íntimo da estilista. Influente e pioneiro, o título nunca deixou de fazer parte da vida pessoal e profissional da ‘MQ’.
Mary Quant dentro de uma das boutiques BAZAAR, em 1962 . (Foto: Getty Images)
Com uma moda cada vez mais lúdica, jovem e feminina, o sucesso da designer só cresceu nos anos 1960. Das golas inocentes aos comprimentos cada vez mais curtos, as coleções lançadas viravam sucesso imediato e mesmo sua personalidade era objeto-desejo entre leitoras de revistas. Na edição de maio de 1960, a Harper’s Bazaar publicou um anúncio de bebidas estrelado pela própria Mary Quant e seu marido. A revolução da minissaia, que a estilista ajudou a popularizar ainda na metade da década, o lançamento de sua linha de cosméticos, em 1966, e o recebimento de uma condecoração da Ordem do Império Britânico no mesmo ano, terminaram de consolidar seu status de ícone da geração – e um nome que ecoa nos livros e passarelas de moda ainda hoje.
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