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Cineasta Anita Rocha da Silveira é o nome por traz de “Medusa”

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Foto: João Atala
À frente de “Medusa”, que chegou às salas de cinema brasileiras no último dia 16, a diretora e roteirista carioca Anita Rocha da Silveira, sobrinha de Nise da Silveira, percorreu um robusto caminho com o filme. Segundo longa-metragem de sua carreira, “Medusa” estreou na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes (2021) e participou de cerca de cem festivais internacionais, com prêmios de Melhor Direção no Festival do Rio e no Sitges Film Festival, de Melhor Filme no Festival do Rio, no Raindance Film Festival e no Tromsø Int. Film Festival, prêmio especial do júri no Indie Lisboa, menção honrosa no Palm Springs Int. Film Festival, entre outros.
Premiado, o filme é um grito crítico contra o machismo, o patriarcado e o autoritarismo, que, muitas vezes, leva à violência.
Formada em cinema pela PUC-RJ e em montagem na Escola de Cinema Darcy Ribeiro, ela tem outro longa, “Mate-me por Favor” (2015), também premiado internacionalmente. Assim como “Medusa”, sua assinatura está no roteiro e na direção, o que pode reforçar uma característica aparentemente primordial da cineasta: projetos autorais.
Anita também se interessa pelo circuito comercial e pretende levar seu repertório plural, especialmente no que se refere a gênero, aos mais diversos projetos e plataformas, incluindo o streaming.
Foto: João Atala
Filha de professores de matemática, desenvolveu o olhar para sétima arte desde cedo por fazer companhia à mãe, cinéfila de carteirinha, nas idas ao cinema. Enquanto viam os filmes, a mãe sussurrava as legendas para que ela pudesse acompanhar, já que ainda não sabia ler tão rápido.
Outro hábito de Anita era devorar filmes em locadoras, e alguns avançados para a sua idade, como quando com nove anos assistiu “Veludo Azul”. Como conta, ela assistiu várias vezes até que tivesse a compreensão.
É de Anita o argumento, o roteiro, a direção e até as letras de algumas músicas de “Medusa” (ela é apaixonada por música, toca flauta transversal e clarinete).
Leia a seguir a entrevista que Bazaar fez com a cineasta.
Como você se tornou roteirista e diretora?
Eu entrei na faculdade com 17 anos, estava super perdida, fui fazer comunicação social, e eu dei sorte de logo abrir habilitação para cinema na PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica). Antes de entrar em cinema, eu já cursava montagem na escola Darci Ribeiro, então meu primeiro interesse foi na montagem. Mas a minha paixão por cinema vem desde muito jovem, eu era cinéfila, a minha questão era se a minha cinofilia era algo com o qual eu também queria trabalhar.
Eu sou bem da ficção, nunca fiz um documentário. Meu primeiro estágio foi na área de montagem e finalização, e na PUC eu fui trabalhando em muitos curtas de amigos, depois comecei a trabalhar como assistente de direção, fiz meu primeiro curta como trabalho de formação, “O Vampiro do Meio-Dia”, foi mais uma brincadeira entre amigos, na época. Mas eu mandei para vários festivais e ele acabou sendo selecionado, era uma coisa que eu nem esperava, ganhei um dinheiro legal com o prêmio de melhor vídeo, que na época era separado vídeo e película. Esse dinheiro foi fundamental para eu fazer o meu segundo curta, “Handebol”. Eu estava trabalhando em um set, mas tive uma experiência muito negativa de assédio moral e sexual, o que me fez pensar que set não era para mim, apenas quando eu voltasse como diretora. Aí fui fazer uma especialização em roteiro, continuei fazendo meus curtas e fiz o meu primeiro longa, “Mate-Me Por Favor”. Eu tive o sonho também de trabalhar na Globo, mas por sorte nunca fui selecionada. Era mais para estar próxima das coisas.
Desde pequena sua família assistia a filmes e sua mãe ajuda você com as legendas, qual a importância disso para a sua formação?
Minha mãe era muito cinéfila, então ela me levava para ver os filmes que ela queria, e lia as legendas para mim, essa coisa de classificação indicativa pouco importava (risos). Às vezes, ela me levava em filmes adultos, que eu pedia para ver novamente e ela nunca entendia por quê. Acho que esse amor, não só pelo cinema, mas como pela sala de projeção, é uma experiência coletiva. Eu também alugava muitos filmes na locadora, eu vi vários filmes adultos ainda pequena, com uns nove anos, como “Veludo Azul” (1986), de David Lynch. Eu o assisti várias vezes até ter a compreensão, assim como outros temas adultos.
Foto: João Atala
Qual foi a ideia para escrever “Medusa”?
Eu acho que foram muitos fatores. Desde 2013 eu estava sentindo um avanço mais conservador no Brasil, e eu me lembro que em 2015, quando eu estava lançando “Mate-me Por Favor”, eu li uma notícia de meninas no colégio terem se juntado para agredir uma outra que consideravam promíscua, e para esse grupo era muito importante não só bater, como deixar a menina feia, cortaram o cabelo dela, além de outras agressões. Essa menina apanhou tanto que ficou com sequelas neurológicas. E eu fiquei meio chocada com isso, do fato de mulheres se unirem para agredir outra mulher. Comecei a pesquisar sobre o tema e encontrei várias notícias, não tão graves, mas também de agressão, até em faculdade. E isso me fez lembrar de Medusa, que foi punida por Atena, cuja maldição fazia com que Medusa transformasse todo mundo em pedra. Eu percebi como essa onda conservadora estava se refletindo nas mulheres jovens no Brasil. O ponto de partida de “Medusa” foi esse, e falar também um pouquinho do machismo estrutural e também como a sociedade tenta controlar nossos corpos, nossas vozes. “Medusa” fala disso, do controle e da falta dele. Também pesquisei muitos youtubers masculinos que falam sobre isso, e que reproduzem um discurso misógino. Pesquisei também alguns grupos evangélicos, bem específicos, que têm planos de poder. Então a ideia era ver como essa onda conservadora estava se refletindo nas mulheres jovens, principalmente as que cresceram nesse ambiente.
Qual a relação de sua obra com o último governo, que manteve uma posição moralista e anticultura frente à arte?
Acho que por sorte nós conseguimos financiar “Medusa” em 2018, a gente conseguiu em um dos últimos editais que existiram antes da eleição, e “Medusa” foi filmado em 2019. A gente até filmou com menos dinheiro do que havíamos imaginado inicialmente, porque a gente se deu conta de que não ia mais abrir edital, e até entramos em uma paranoia imaginando que nosso dinheiro poderia ser tomado, e tal. Mas acabou sendo uma sorte, porque depois veio algo muito pior, que foi a pandemia. Eu acho que o maior problema desse governo [Jair Bolsonaro] foi a burocracia que se criou para a gente, do cinema, junto à Ancine, justamente para atrasar a liberação de verbas, para tirar documentação… Porque eles nunca fecharam a Ancine, mas criaram uma máquina que não funcionava, não operava. Aconteceu que o filme nunca caiu nos olhos dessa galera conservadora, por ser um filme pequeno, mais voltado a festivais. Eu nunca recebi um ataque, nem ninguém da equipe referente a isso. Talvez quando chegar ao streaming possa ter algum tipo de reação.
Você pessoalmente escolheu os atores?
Sim, eu trabalhei junto com o produtor de elenco, o Giovani de Barros, que é amigo meu de muitos anos. O roteiro já foi escrito com a Mari Oliveira em mente, ela foi atriz no meu primeiro longa, “Mate Por Favor”. Alguns atores foram convidados, como a Bruna Linzmeyer, que já era minha amiga pessoal, o Thiago Fragoso, que é amigo da produtora-executiva, ela sempre disse que ele faria um excelente pastor, e eu já fui lá e conversei com ele. A Joana Medeiros que faz a enfermeira, a Inês Viana, que também faz uma participação. Mas a maioria do elenco jovem veio de testes, que abrimos nas redes sociais. Estou muito contente com o elenco, que é muito grande e plural.
Quantas pessoas fazem parte no total?
Eu tenho que contar, mas é perto de 30.
Acredita que o feminismo embutido nas meninas acaba por fazê-las renascer para uma nova realidade?
Eu acho que sim. A primeira versão do roteiro do filme, lá em 2015, 2016, tinha um final triste. Aí veio o impeachment [de Dilma Rousseff], eu quis fazer um final que apontava para a sororidade, que elas se unissem, e que escolhessem umas às outras em vez do patriarcado. Elas não são super amigas ao longo do filme, até porque elas tinham que controlar tanto os seus corpos, que elas controlam umas as outras. Através desse grito de liberdade elas escolhem a si, e não aos homens.
E você imaginava que o filme fosse ser tão premiado?
Ah, não sei (risos). Eu estou muito feliz com o resultado, com as premiações, com a carreira que o filme fez. Eu só tenho agradecimentos a tudo o que o filme foi conquistando.
Como tem sentido a receptividade do público com o filme?
Desde o início tenho sentido coisas boas, achei que o filme no exterior pudesse não se compreendido… Porque acho que a extrema direita está no mundo todo… Mas eu recebo muitas mensagens positivas. É óbvio que tem gente que não vai gostar do filme, mas de uma forma geral ele está indo muito bem. Tenho recebido muitas mensagens legais, principalmente agora que o filme estreou por aqui. O filme foi feito em uma colaboração Telecine/Canal Brasil, e ele vai sair no streaming no Globoplay.
Foto: João Atala
Quais são os próximos projetos?
Estou desenvolvendo dois projetos de longa, um deles um pouco mais autoral, autobiográfico, com a minha pegada, então vai ser um filme bem fantástico, talvez musical, porque eu tenho muita vontade de fazer um musical, mas um musical com uma cara fantasmagórica. E o outro é um projeto de horror, mas mais comercial, porque eu sou apaixonada por filme de horror. E tem essa coisa de ver filmes de horror incríveis do exterior, porque o horror tem essa pegada de você querer ver com amigos. Eu também estou com um projeto de série de horror adolescente, que estou começando a apresentar para canais. E outra série para uma produtora. Ao mesmo tempo, estou com Fernanda e Miguel Ribas me apresentando como diretora de obras que não são minhas. Eu queria muito voltar ao set, dirigindo obras de outros.
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