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Caroline Polachek: “Se não está brincando com o lado visual, por que está fazendo Pop?”

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Foto: Divugação
Caroline Polachek está no Hemisfério Norte, colhendo os bons frutos da turnê Spiralling, nos Estados Unidos e Canadá – com muitas datas com ingressos esgotados, diga-se de passagem. Seu mais recente álbum Desire, I Want To Turn Into You – lançado em fevereiro deste ano – foi aclamado pela crítica (com nota superior a 8, no especialista Pitchfork) e pelos fãs de seu pop experimental, que abraçaram o trabalho com aspiração às pistas de dança. No ano passado, os brasileiros puderam conferir sua performance em um dos palcos do Primavera Sound São Paulo.
Vivendo entre Los Angeles e Londres, a cantora bateu um papo virtual com Bazaar, direto da capital londrina, especificamente da escrivaninha onde compôs boa parte do segundo álbum de estúdio. Formada em Artes, o que torna a música pop tão incrível – para ela – é o efeito visual e o universo que o Pop pode criar. “Nos oferece espécie de editorial de moda, onde é possível brincar. Não precisa ter a lógica do cinema, é puro glamour e êxtase”, explica. “Se você não está brincando com o lado visual, por que está fazendo música pop? Qual é o ponto?”.
A ex-vocalista da banda Chairlift estava “satisfeita e animada”, apesar de “cansada”, pois havia acabado de retornar à terra do Rei Charles III (ainda não coroado, na ocasião), depois de dar um rasante na primeira fila da Paris Fashion Week, em desfiles como Loewe e Acne Studio. Aliás, neste último a cantora causou frisson ao cruzar com os fotógrafos em seu vestido alt-Rapunzel (algo como uma versão alternativa do clássico dos desenhos, em português), repleto de franjas azuis feitas de cabelo e uma bolsa spiky.
A seguir, ela versa sobre carreira, o novo álbum e os assuntos que gostaria de abordar em seu segundo álbum de estúdio, além disso: como a faculdade de Artes a ajudou a se moldar como artista, além da pressão da indústria por hits virais.

Qual ou quais assuntos queria trazer à tona no álbum, uma vez que há uma expressão que dia “ninguém é uma ilha”, do Paulo Coelho, e sua primeira música você dá boas vindas à sua ilha… O que faz de ti uma ilha?
É interessante você usar a palavra assunto. Porque Pang (antecessor) foi muito narrativo, uma grande história sobre mim, um relacionamento se dissolvendo e as estruturas da minha vida indo embora, encontrando outras etc. Desta vez, recusei a ideia de narrativa. Não queria contar uma história. Mas falar sobre sentimento, movimento, dinâmica e energia. Queria fazer músicas como Bunny Is a Rider, Pretty Impossible ou Billions, que soassem como pura poesia.
Ideias, sentimentos, piadas e imagens em que as pessoas não precisassem de uma história. De certa forma, este foi o ponto de partida, apenas para recusar a narrativa. Embora, é claro, o subconsciente sempre tem outro plano e percebi só depois que terminei o álbum. Há discretamente uma narrativa que passa, que começa com Welcome to My Island, que é realmente sobre ego, estar preso em sua cabeça. E, no final do álbum, libertação, onde a minha voz se dissolve e o coro infantil assume, em Billions.
Tem alguma história de bastidores ou algo engraçado sobre este álbum?
Quando olho para trás, fui ao extremo ao fazer esse trabalho. Estava em turnê, ano passado, abrindo as apresentações de Dua Lipa por dois meses em turnê – durante a turnê Future Nostalgia. Algumas músicas desse álbum foram escritas enquanto eu estava na estrada.Tinha uma programação maluca: acordava às nove da manhã, ia para o estúdio em cada cidade que chegávamos. Cada dia, uma cidade diferente. Trabalhava até umas 17h, e depois corria para a arena fazer meu cabelo e maquiagem, me apresentando para 20 mil pessoas. Depois, entrava no ônibus, dormia e acordava em uma nova cidade. Ia para um novo estúdio. Foi uma época muito louca, também, porque era inverno. E não há luz nas arenas nem nos estúdios. Essencialmente, não vi o sol por semanas, foi realmente bizarro.
Você acha que isso impactou o álbum de alguma forma?
Sim, foi selvagem. Por isso, acredito muito que você sempre quer muito algo que não pode ter. Por isso, acredito que o sol se materializou na música.
Quais são seus desejos para este 2023, agora que está em turnê, vai se apresentar em alguns festivais pela Europa – Primavera Sound, em Barcelona, incluso. Espero que possa voltar ao Brasil em breve…
Meus desejos para 2023 são: Paz Mundial, justiça climática e saltos em que eu possa dançar (risos).
Qual é a história por trás da turnê, que é diferente do álbum?
Comecei a pensar muito sobre vulcões enquanto fazia este álbum. Para mim, representava esse tipo de repressão coletiva e, também, catarse que todos estamos experimentando. Vulcões são tão sexy e amo a metáfora erótica do vulcão, mas também as cores e a textura: o vermelho, o marrom, o cinza, o preto, a falta de um rosto, como eles são perigosos… São imprevisíveis. No show ao vivo, construímos um grande vulcão e uma paisagem em que canto no sopé do vulcão todas as noites.
Muitos artistas falam da dificuldade em se construir um segundo álbum, tendo o primeiro sido aclamado. Este foi mais difícil na decisão de seguir carreira solo?
Acho que no seu primeiro álbum ninguém espera nada de você. Ninguém está pronto para atacá-la ou derrubá-la, enquanto em um segundo álbum as pessoas estão incendiadas, querem ver alguém falhar. Muitas pessoas querem esse drama. É, secretamente, o meu sétimo álbum. Porque eu tive uma longa carreira musical antes disso, então acho que tive muito mais coragem do que teria se este fosse realmente meu segundo álbum.
Agora, aos 37, e usando seu próprio nome com carreira solo… Quais foram as escolher que definiram a sua essência?
Conhecer sua própria essência como artista vem com a experiência e com o tempo. Como jovem artista, nos meus 20 anos, precisava experimentar, tentar um milhão de coisas diferentes, projetos diferentes, colaborações… Você começa a aprender sobre si mesmo, no que é bom, o que ama e percebe todos os padrões (de comportamento). Há assuntos que eu não pude evitar: perda de controle, se apaixonar, sonhar, mágica. Todas essas são coisas que, para mim, são tão importantes e recorrentes na minha música. Neste ponto, desisti de tentar mudar isso e fui abraçando.
Adele falou que está interessada em fazer música para a sua geração, não para os mais jovens. Enquanto, outros artistas, estão falando sobre a pressão de fazerem músicas para viralizar. Sinto que você não faz música para se tornar um viral, mas ela chega a essa parcela. Você tem ‘mixed feelings’ sobre isso?
Não acompanho muito o TikTok, mas acredito no poder de uma boa letra e de um som incrível. Só porque isso existe não significa que a música inteira tenha que ter 2 minutos. Uma boa ideia é uma boa ideia, e funcionará em qualquer lugar.
Foto: Divulgação
Você estudou Artes na faculdade. Como isso facilita seu trabalho como artista e como você usa o aprendizado do curso no seu dia a dia?
Sou muito grata por ter estudado arte e não música. Porque me permite expressar a música de uma maneira muito mais clara e rica. Por exemplo, em ensaios de foto, entendo exatamente como a luz está funcionando, a escolha da qual lente dos fotógrafos e os efeitos dessas escolhas. Antes da música, costumava trabalhar como retoucher, então controlo a minha imagem – o que para uma mulher é super importante. Porque você não precisa ficar com medo ou na defensiva. Compreensão da cimática e do humor. Como criar visualmente um clima que ajude as pessoas a entenderem como ouvir sua música e qual é universo proporcionado pela sua música.
Quem são seus ícones fashion?
Muitas… Por onde começo? Acho que, talvez, as duas primeiras que me vêm à cabeça são Nicole Kidman e Isabella Blow. Elas têm tamanha atitude, especialmente porque são mulheres mais velhas e incrivelmente sexy, confiantes e legais.
O que pode nos dizer sobre um próximo trabalho?
Sim, estou em turnê, mas logo haverá músicas novas chegando o verão (no Hemisfério Norte). Meu álbum acaba de ser lançado, estou recuperando o fôlego. Mas tenho muitas músicas em que estou animada para desenvolver, já, para um próximo álbum.
Existe algum ritual ou mood em que precisa estar para compor?
Não tenho um ritual, mas não gosto de estar cercada de muitas pessoas. Gosto de compor sozinha ou com outra pessoa, muito focada. Prefiro não ter duas semanas inteiras, onde possa escrever, mas gosto de escrever todo dia um pouquinho. Percebi que me desafio mais, tenho meus próprios padrões e começo a lutar contra eles, me rebelar contra as coisas que fiz anteriormente… O espírito de me rebelar contra os trabalhos que fiz no passado são muito inspiradores para mim.
Algo que não perguntamos e gostaria de acrescentar?
Quero mandar um alô aos meus fãs brasileiros, e dizer que vocês são muito sexy e têm ótimo gosto (risos). Amo vocês e mal posso esperar para voltar.
Foto: Divulgação
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