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Bazaar Home: Mariana Schmidt abre as portas de seu apartamento

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Mariana Schmidt com a mascote Bethânia, em seu quarto – Foto: Fran Parente
Mariana Schmidt acredita que a arquitetura tem o poder de mudar a velocidade das coisas. O tempo ganha outras possibilidades sob sua ótica. E essa é uma constante em seu trabalho, até mesmo quando precisou montar seu próprio lar. “Não existe um significado para nada no apartamento, decidi projetar uma ‘metáfora arquitetônica’, sem comentários, sem significados, uma construção pura”, explica. Assim resume o apartamento em que mora, no quarto andar de um prédio em Higienópolis, na capital paulista, cercado por torres modernistas dos anos 1970.
Arraigada à pauliceia, tem relação emocional com o centro e o concreto da cidade – são quase 20 anos desde que se mudou em definitivo, em 2005. O quadrilátero desperta memórias afetivas da infância, com recordações que vão de sua criação na zona rural de Minas Gerais à época em que morou na Cidade Maravilhosa. “Lembra um pouco o Rio, o bairro onde morei, muito arborizado, calçadas largas e, de certa forma, onde todo mundo se conhece. Tenho a sensação de que o tempo tem nuances. Passa devagar se comparado com o resto da cidade. Isso me agrada.”
Foto: Fran Parente
O apartamento em que vive com a filha Ana, de 15 anos, e a mascote Bethânia – um borador, mescla de border collie com labrador – ocupa 250 metros quadrados, exala simplicidade ao mesmo tempo em que transborda personalidade. A sala generosa, entre os quartos, garante certa privacidade. Como as entradas (sem portas) ficam de lados opostos, você não sabe quem entra ou quem sai. “Não existe um corredor de passagem e, sim, uma oportunidade para um ambiente de convivência. Essa sala se conecta a uma maior.” Além dos quartos, complementam a planta as salas de jantar e de estar, uma cozinha e um ambiente de trabalho e estudo, separado das áreas comuns. O apartamento foi completamente modificado desde que foi comprado, em 2020, mas o interessante é que poucas paredes foram removidas. “Não queria corredores para ampliar espaços, porque o arquiteto (português) Álvaro Siza mencionou, certa vez, algo que nunca esqueci: ‘Devemos nos questionar por que moramos em corredores de medidas estabelecidas.’ Então, digamos que o alargamento do corredor em sala foi uma licença poética, uma provocação do projeto”, diverte-se.”Reformulamos a forma de se pensar o uso dos espaços. Isso está mais atrelado ao exercício do pensamento do projeto do que a obra em si”, conta ela, ao ter criado um ambiente naturalista cheio de luz.

Todas as alvenarias e pisos foram feitos com pigmentação natural de areia, vinda da Bahia, garantindo uma experiência tátil e aconchegante, além de cenário neutro para dar destaque ao artesanato e às peças assinadas. O chão tem concreto no piso, areia projetada nas alvenarias, cuja luz muda no decorrer do dia, e madeira nos detalhes. “E os concretos existentes deixamos aparentes”, diz. Cada peça conta histórias de vida – da Amazônia ao Peru, passando por Etiópia e México – e entrega suas referências no design. Os garimpos se mesclam aos trabalhos de arte contemporânea e móveis de época. Na sala de estar, convivem esculturas de José Bezerra e uma cadeira de Lina Bo Bardi (projetada para o SESC Pompeia), além da Cadeira Alta, do artista Rodrigo Silveira, e o vaso-ampulheta Spindel, em concreto, de Willy Guhl – dos idos de 1950. Sobre o sofá de linho paira uma instalação da conterrânea Brisa Noronha. Na sala de jantar, uma obra de arte do baiano Mano Penalva – seu vizinho – sobre mesa vintage, também cinquentista, além de cadeiras de vime do designer italiano Carlo Hauner, referência para os modernistas brasileiros. Mariana esconde em seu quarto um par de cadeiras do dinamarquês Hans Wegner posicionadas ao redor da mesa de Etel Carmona, escultura oversized de Jacqueline Faus e cadeira Girafa, de Lina Bo Bardi, Marcelo Ferraz e Marcelo Suzuki. Todas as peças atravessaram os anos, tesouros de muitas viagens, principalmente para a África e outros destinos, onde pode explorar a arquitetura e as construções vernaculares. “Existe uma escada Dogon, do Mali, que, para mim, talvez seja o mais simbólico (da casa). Sou fascinada por escadas, sempre um marco. Precisa carregar um senso histórico e não somente ser elemento de conexão do subir e do descer”, acrescenta.
Cadeiras Carlo Hauner contornam a mesa com desenho da MNMA Studio na sala de jantar, junto a peças garimpadas do século 19 – Foto: Fran Parente
Para ela, a assinatura de seus projetos no escritório MNMA Studio (abreviação para escala mínima), criado em 2016, flerta com a arte: “arquitectura-arte”, como gosta de chamar. “Tudo que vivi retorna profundamente no que projeto. Bonito demais isso… A arquitetura nunca é uma ‘forma’. Nós nem discutimos isso nos projetos, primeiro temos sentimentos. Gosto de iniciar tudo pelos materiais, porque existe uma reação, uma emoção, e, a partir disso, cria-se uma atmosfera e, então, um projeto.” Pensar arquitetura, para ela, é pensar em anamnese. “Como quando você experimenta uma coisa e ela, de alguma forma, se eterniza em você como sentimento. É isso que nos propomos a fazer, diariamente, sem nos preocupar com um marco, forma ou identidade fixa a ser reconhecida”, acrescenta. Essas possibilidades viram pesquisa. Os detalhes não seguem padrão. Se isso acontece, dá meia-volta e começa do zero. Como arquiteta, os lugares que projeta precisam se tornar mágicos, preencher vazios. E, nessa equação, a fim de produzir beleza, brinca com luz e sombra, vibrações sonoras, materiais táteis que ocupam vazios. É permitir-se criar a partir de predileções, provocações e, assim, como uma sinfonia, preencher lapsos de tempo, transformando-os em memória. “A memória nunca é perdida, e como arquiteta, eventualmente ela retorna e transmuta em espaços”, pontua.

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