Bibiana Leite – Foto: Arquivo Pessoal
Por Baárbara Martinez
Nascida na periferia de Salvador, Bibiana Leite tem uma história de sucesso marcada por muitos episódios além das efetivações. Diretora de parcerias e comunidade do YouTube para Canadá e Américas, começou a carreira em atendimento ao cliente e vendas. Em seguida, entrou no Google na posição mais junior que existia, também com foco em atendimento voltado ao online.
A sede de conquistar outro espaço veio quando começou a cuidar clientes de entretenimento. “Me despertou a vontade de trabalhar no YouTube, então apliquei para uma vaga em uma seleção interna para o Vale do Silício e fui aprovada”, conta à Bazaar.
Com o desafio proposto, Bibiana, formada em administração, acabou sendo a primeira funcionária do Google Brasil a efetuar uma transferência para a sede americana. Desta forma, teve a coragem de correr atrás do sonho de trabalhar no tal ‘Corporate America’ dos Estados Unidos. “Não tinha referências, nem processos estruturados para essas transferências, muito menos amigos ou família na Califórnia”, lembra ela, que, na adolescência, teve aulas de inglês pagas pela tia em um centro cultural em Salvador.
Como se não bastasse, ela é líder do YouTube Black, seriado em São Francisco, responsável por ampliar vozes negras dentro da plataforma. Definindo-se como visionária com foco em pessoas, e curiosa por natureza, busca sempre evoluir, usando dados para combater adversidades. “Gosto de pesquisar bastante sobre a situação ou problema para tentar chegar à melhor solução possível”, diz. Em 2022, começou a liderar toda a região de Américas, incluindo os Estados Unidos.
Como mulher negra, nordestina e imigrante, a brasileira sabe da importância que tem para outras pessoas almejarem espaços de liderança, pavimentando o caminho para outras. Mesmo atualmente, com mais mulheres pretas em cargos reluzentes, ela destaca que isso continua sendo exceção em um País com mais da metade da população composta por pessoas que se identificam como negras. “É curioso, porque são mulheres que exercem uma forte liderança diariamente, desde cuidar e criar seus filhos (muitas sozinhas) até trabalhar em seus próprios empreendimentos”.
Com a já superada síndrome de impostora, a diretora não nega que é difícil estar em ambientes onde ninguém se parece com ela ou teve as mesmas experiências. “Penso como minha presença tem um significado para os meus ancestrais e também aos outros que estão por vir”, desabafa, citando Michelle Obama, Taís Araujo, e Bozoma Saint-John, executiva CMO (Chief Marketing Officer) na Netflix, como inspiração tanto no trabalho quanto na moda.
Abrindo o caminho para a nova geração, Bibiana reflete que há diferentes maneiras para as empresas praticarem a inclusão, mas que, para isso, é necessário dar um passo para trás, a fim de tornar as ações realmente efetivas e longevas. “É fundamental que a sociedade se eduque em relação à nossa história, ao racismo, o que o gerou e as suas consequências. É importante que criemos oportunidades para essas minorias visto a bagagem histórica de exclusão que passamos há centenas de anos”, diz.
Exemplo disso é o programa NextUp, do Google Brasil, que, para contratar talentos que não falam inglês, oferece cursos do idioma para tornar eficaz a comunicação com a matriz americana. Para ela, as empresas precisam ficar de olho em quem quer aprender e crescer profissionalmente, mudando a célere cultura do mercado, que busca encaixar o candidato certo à vaga exata de maneira veloz. “Entender como o potencial do candidato pode ser alinhado aos objetivos da vaga e da empresa, não que atenda a 100% dos requisitos da vaga”, pontua.
Longe do escritório, Bibiana busca balancear a vida de girl-boss com atividades como o body pump (modalidade que une musculação e ginástica) e viajar. “Também faço caminhadas pelo menos quatro vezes por semana, e, mesmo quando viajo a trabalho ou a passeio, priorizo fazer atividades a pé. Moro com o meu parceiro, que também ama viajar e se aventurar pelo mundo, e fazemos muito isso juntos”, conta a profissional, que não tem a intenção de ter filhos. “Não acredito que preciso procriar só porque sou mulher. Talvez seja um assunto polêmico no Brasil, mas eu gosto da minha liberdade e do meu estilo de vida sem filhos”, arremata.
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